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Líbano: manifestantes propõem um novo “corte de cabelo” para os ricos

Sem governo funcional, com uma crise de dívida pública e num cenário de fuga de capitais, alguns economistas propuseram um haircut, ou seja, o confisco de parte dos rendimentos dos mais ricos para resolver a situação. Contra a desigualdade, os libaneses foram para a frente do Banco Central mostrar “como se faz um bom 'corte de cabelo'.”
Manifestante libanesa numa ação simbólica de corte de cabelo em frente ao Banco Central.
Manifestante libanesa numa ação simbólica de corte de cabelo em frente ao Banco Central. Foto de @hasanshaaban/Twitter.

A revolta contra a corrupção e a desigualdade social no Líbano já leva mais de quarenta dias e o governo, entretanto, já se demitiu. Mas a intenção, a força e a originalidade dos protestos não se esgotam.

Esta semana, centenas de libaneses estiveram em Beirute em frente ao Banco Central para mostrar à instituição como “se faz um bom corte de cabelo”.

O corte de cabelo foi real, vários manifestantes aproveitaram a presença de um barbeiro para obter um corte gratuito, mas a ação era sobretudo simbólica. Haircut tem sido a ideia utilizada por alguns economistas para propor que parte dos rendimentos financeiros dos mais ricos seja utilizada para fazer face à crise profunda que o país atravessa. Esta concentração serviu para apoiar a medida mostrando “como é um bom corte de cabelo, como declarou então Rebecca Saade à Agência Notíciosa France Press.

O bom humor do protesto contrasta com o cenário político e económico catastrófico no país. O governo demitiu-se a 29 de outubro e não se vislumbra a possibilidade de um executivo viável e aceite popularmente a curto prazo. A dívida pública é insustentável, sendo a terceira maior do mundo em comparação com o PIB, os bancos doseiam o acesso a divisas estrangeiras e milhões de euros saíram do país nos últimos tempo. A fuga de capitais andará na ordem dos 800 milhões de dólares, numa altura em que, para os clientes normais, os bancos estavam parados e as transações bloqueadas.

Saade resume a situação afirmando “o haircut não deve ser aplicado a nós, especialmente desde que nas últimas semanas deixaram todos os grandes depositantes retirar todo o seu capital.” Para além disto, esta manifestante pensa que a dívida dos mais ricos para com o país vem de mais longe do que isso porque “beneficiaram da corrupção até agora”.

O país tem, segundo o Banco Mundial, cerca de um terço dos habitantes a viver em situação de pobreza mas caminha-se rapidamente para serem metade. Ao mesmo tempo, um por cento da população contra 25% do rendimento nacional.

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