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Lay-off atinge mais de 30 milhões nas maiores economias da Europa

Nas cinco maiores economias europeias, já há mais de 30 milhões de trabalhadores em programas semelhantes ao lay-off, cerca de um quinto da força de trabalho nestes países. Perda de rendimento vai afetar o conjunto da economia.
Foto de anika/flickr
Foto de anika/flickr

Nas cinco maiores economias europeias (Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Espanha), já há mais de 30 milhões de trabalhadores que se encontram abrangidos por programas semelhantes ao lay-off, o que equivale a cerca de 1/5 da força de trabalho nestes países, de acordo com os números avançados pelo Financial Times. Nestes programas, cabe ao Estado assegurar uma parte dos rendimentos dos trabalhadores que deixaram de poder trabalhar como consequência das medidas de distanciamento social.

Números do lay-off na Europa. Gráfico publicado no Financial Times.

Números do lay-off na Europa. Gráfico publicado no Financial Times.

 

Estes programas têm o mérito de garantir a manutenção dos postos de trabalho, evitando que as pessoas caiam no desemprego. Nos EUA, onde não existe este tipo de apoio, houve 26 milhões de novos pedidos de subsídio de desemprego nas últimas semanas, um aumento sem precedentes que revela a dimensão da crise que se avizinha. No entanto, há alguns problemas associados.

Por um lado, o Estado não garante a totalidade dos rendimentos, o que significa que as pessoas abrangidas têm mais dificuldade em fazer face às despesas que possuem. Nestes países, há trabalhadores para os quais a fração do salário paga pelo Estado não é suficiente para se aguentarem. Um estudo do Instituto de Investigação em Macroeconomia e Ciclos Económicos (IMK) revelou que cerca de 40% das pessoas inquiridas disse que enfrentaria dificuldades financeiras ao fim de menos de 3 meses num programa de lay-off.

Por outro, a medida tem efeitos negativos para o conjunto da economia, já que se traduz em menos poder de compra para uma parte substancial da população e menos procura agregada. Além disso, a crise afeta sobretudo setores como a restauração, o turismo e o comércio, caracterizados por uma elevada proporção de pequenas e médias empresas e trabalhadores com menos rendimentos. Sebastien Dullien, diretor científico do IMK, lembra que “esta é uma crise que afeta desproporcionalmente os mais pobres”, defendendo que é necessário garantir os seus rendimentos.

Na zona euro, os países do Sul têm gasto menos do que os do Norte com as medidas de resposta à pandemia. A hipótese de virem a ser afetados pela perda de rendimentos das pessoas e pelo seu efeito recessivo é, por isso, maior. A consequência pode ser um aumento da divergência entre os países do euro.

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