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Lavagem de dinheiro duplica na primeira metade de 2020

Desde janeiro, a Polícia Judiciária já descobriu 15 milhões de euros, o dobro do que tinha encontrado em todo o ano passado e indica como causa o sistema “Empresa na Hora”. O ministério da Justiça diz que não há relação.
Notas de euro num estendal. Fotos de Images Money/Flickr.
Notas de euro num estendal. Fotos de Images Money/Flickr.

As redes internacionais de burlas informáticas estão a utilizar cada vez mais Portugal para lavagem de dinheiro. Segundo o Jornal de Notícias, a Polícia Judiciária acredita que isto se deve à “facilidade de criação de empresas proporcionada pelo sistema Empresa na Hora”.

A PJ informa que detetou a criação de empresas falsas, sem qualquer atividade, sediadas em escritórios virtuais ou moradas inexistentes e com contas bancárias espalhadas em vários bancos. De janeiro até agora, foram descobertos 15 milhões de euros a circular para efeitos de lavagem de dinheiro, o que é o dobro do encontrado em todo o ano de 2019.

O ministério da Justiça tem uma ideia diferente. Diz, ao mesmo órgão de comunicação social, que “desconhece a relação causal entre o balcão "Empresa na Hora", que existe desde 2005 e não dispensa ato presencial, e o crime organizado” e que este "em nada altera os pressupostos da constituição de sociedades civis ou comerciais reguladas por lei".

A Empresa na Hora permite criar num ato único sociedades comerciais por quotas, unipessoais por quotas e anónimas, através de uma lista de nomes já existentes e sob compromisso de depósito do capital social. A PJ acredita que a medida de desburocratização se tornou uma "vantagem competitiva de Portugal" que será "aproveitada" por associações criminosas para lavar o dinheiro obtido com burlas informáticas cujas vítimas são sobretudo dos EUA, França e Itália.

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