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Lançada campanha para desmistificar o gás como combustível de transição

Após a COP-25, um grupo de ativistas lançou uma campanha nacional para denunciar o aumento da temperatura média do planeta. Os ativistas afirmam que tal se deve ao investimento no “chamado gás 'natural' sob pretexto da transição energética”.
Fotografia: Climáximo
Fotografia: Climáximo

Vários movimentos cívicos e associações lançaram este sábado a campanha “Gás é andar para trás”. Tal ocorreu um dia após o fim da COP-25 com o intuito de desmistificar a narrativa de que o gás fóssil é um combustível de transição.

Assim, no centro de Lisboa, foi feita uma ação para desconstruir essa ideia este sábado. Segundo um porta-voz da organização, citado por um comunicado do Climáximo, “O adjetivo 'natural' que acompanha todas as referências ao gás carrega conotações de uma origem não poluente e amiga do ambiente. Esta retórica tem de ser urgentemente desconstruída. O gás é tão 'natural' como o petróleo, formando-se geralmente nos mesmos depósitos debaixo do solo. É o termo gás fóssil que se deve tornar natural na linguagem corrente e no discurso político e mediático, bem como a perceção clara da sua associação aos restantes combustíveis fósseis”.

Associações como a Climáximo, a Academia Cidadã, a Campanha Linha Vermelha, a Associação Bajouquense para o Desenvolvimento (ABAD), a Greve Climática Estudantil de Leiria, o Movimento do Centro contra a Exploração de Gás, a Plataforma Algarve Livre de Petróleo e a Zero formaram esta campanha em cujo manifesto se pode ler que “A ciência diz-nos que os ecossistemas do planeta não conseguem suportar nenhuma nova infraestrutura de combustíveis fósseis. As infraestruturas hoje existentes já emitem gases com efeito de estufa mais do que suficientes para ultrapassar um ponto sem retorno na crise climática. Sabemos que para limitar o aumento de temperatura média terrestre a 1.5ºC face a níveis pré-industriais temos de cortar essas emissões, a nível mundial, em mais de 50% até 2030. E os países mais ricos devem ter metas mais ambiciosas do que esta, uma vez que têm mais capital, tecnologia e maior responsabilidade histórica.”

As associações exigem, entre outras coisas, o cancelamento de todos os novos projetos de prospeção e exploração de gás, incluindo nas áreas designadas por Batalha e Pombal; a revogação do Decreto-Lei 109/94, que facilita a concessão de licenças para exploração de hidrocarbonetos; a proibição da fraturação hidráulica em Portugal, assim como da importação de gás natural obtido por esse método; o cancelamento de todos os projetos de novas infraestruturas de gás, incluindo projetos de expansão do Terminal de Gás Liquefeito (GNL) em Sines e o projeto de gasoduto entre Guarda e Bragança.

Os ativistas defendem “uma transição justa para alternativas limpas e sustentáveis à energia hoje proveniente do gás fóssil” e denunciam “a narrativa falsa e perigosa que pinta o gás como solução de transição.” Afirmam também que “o Gás fóssil é tão natural como o petróleo.”

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