Jovens em Portugal: mais de metade já sofreu violência no namoro

14 de February 2019 - 10:13

Num estudo sobre violência no namoro em contexto universitário, mais de um terço dos 2683 inquiridos assumiu ter exercido pelo menos uma vez violência sobre o outro. De acordo com a coordenadora do estudo, a violência é sustentada pelas “crenças de género que colocam o homem numa posição de superioridade e as mulheres numa posição subalterna”.

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Fotografia de Paulete Matos
Fotografia de Paulete Matos

O estudo Violência no Namoro em Contexto Universitário: Crenças e Práticas, promovido pela Associação Plano i, concluiu que 54,7% dos jovens em Portugal já passaram por pelo menos um ato de violência no namoro. A lista de atos inclui difamação, chantagem, invasão de privacidade, agressões físicas e coação para práticas sexuais indesejadas. Mais de metade dos 2683 inquiridos afirma ter passado por isto.

Para além disto, 34,5% afirma já ter praticado pelo menos um ato de violêncio. Tal como no plano da violência doméstica, os rapazes são quem mais exerce violência, “embora a violência no namoro seja sofrida e praticada por ambos os sexos”, sublinha o estudo cujos inquéritos foram aplicados entre abril de 2017 e janeiro de 2019.

No que concerne à violência praticada e sofrida nas relações de namoro entre universitários, 21,3% das mulheres e 17,3% dos homens declararam que já foram culpados, criticados, insultados e difamados sem motivo; 14,7% das mulheres e 6,9% dos homens passaram por ameaças, gritos ou comportamentos como partir objectos e rasgar a roupa; 12,9% das mulheres e 9% dos homens reportaram que já foram ameaçadas ou chantageadas através das tecnologias da comunicação; 19,6% das mulheres afirma já se ter sentida controlada na forma de vestir, no penteado ou nos locais frequentados, contra 9,7% dos homens; 4,5% das mulheres e 2,9% dos homens afirmam ter passado por ameaças de morte ou sofrido ferimentos que necessitaram de tratamento médico.

O estudo concluiu ainda que a violência está mais presente entre os jovens que apresentam “crenças de género mais conservadoras”. Assim, a criminóloga Mafalda Ferreira, coordenadora executiva do estudo, citada pelo Público, afirma que “Estas crenças de género, que colocam o homem numa posição de superioridade e as mulheres numa posição subalterna, são o que sustenta a violência. Por isso, o foco tem de estar na educação, nomeadamente nas escolas” e acrescenta que “se esta educação para a cidadania e para a igualdade de género for feita desde o pré-escolar, estas crenças são mais facilmente desconstruídas”.

O estudo mostra ainda que 9% dos homens afirmam que a família deve ser a prioridade das mulheres (6,9% das mulheres concordam). Para mais, 27,9% dos homens acham que algumas situações de violência doméstica são provocadas pelas mulheres, contra 12,7% das mulheres; 16,8% dos homens dizem que o ciúme é uma prova de amor, e 3,4% das mulheres concordam.

Os homens manifestam-se mais contra a ideia de igualdade. Assim, 8,7% dos inquiridos dizem que direitos e deveres não devem ser iguais, e 2,3% das inquiridas também.

O estudo prosseguirá agora para uma nova fase, em que procurará garantir uma amostra com maior representatividade geográfica e da população masculina, já que os inquiridos se concentram sobretudo na região Norte e 78,1% eram do sexo feminino e 21,5% do masculino.