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José Gusmão questionou Centeno sobre o fracasso do Eurogrupo

Em audição por videoconferência no Parlamento Europeu, o eurodeputado bloquista José Gusmão insistiu que a resposta à crise não pode ser "uma montanha de dívida".
José Gusmão. Foto arquivo GUE/NGL

O eurodeputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, participou esta terça-feira na audição do presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, na comissão de Assuntos Económicos e Monetários (ECON) do Parlamento Europeu. O eurodeputado confrontou Centeno com o fracasso da última reunião do Eurogrupo, na qual os países apenas foram capazes de anunciar medidas de resposta económica assentes em mais endividamento.

José Gusmão sublinhou que o recurso a empréstimos do Mecanismo Europeu de Estabilidade é uma “ajuda que ninguém quer”, lembrando que “o ministro das Finanças do governo italiano já veio dizer que não o quer usar, o governo espanhol já veio dizer que não o quer usar, e o seu próprio secretário de estado também já veio dizer que não o quer usar”.

O eurodeputado bloquista insistiu que “a resposta a esta crise não pode ser uma montanha de dívida” e questionou Mário Centeno sobre se “vamos ou não ter uma solução de financiamento multilateral a fundo perdido”, como a que propõe o governo de Espanha. Gusmão defendeu que é preciso “mobilizar a capacidade de fogo do Banco Central Europeu” e que, embora o financiamento monetário não seja permitido pelos tratados, “é possível um compromisso político que assegure o financiamento a fundo perdido dos Estados-Membro, assumindo as instituições europeias a responsabilidade de ficar com essa dívida enquanto se procede às alterações necessárias para que o BCE a possa vir mais à frente a pagar com moeda”.

José Gusmão questionou ainda se “a possibilidade de consolidarmos ditaduras na Hungria e na Polónia, a possibilidade de termos governos fascistas em Espanha ou Itália, a possibilidade de desagregação do próprio euro, valem a pena só para manter regras que se comprovam absolutamente absurdas”.

 

Na resposta, Mário Centeno afirmou que o MEE é uma "linha de defesa", considerando-o "um seguro" que os países "adquirem para se proteger de eventos que podem ocorrer nos mercados", embora reconheça que este mecanismo ainda nem se encontra disponível. Sobre o Fundo de Recuperação, Centeno foi evasivo e referiu apenas que este "tem de ser implementado segundo os princípios da solidariedade europeia".

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