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Jornalista angolano preso durante reportagem

O diretor-adjunto da Rádio Despertar foi detido quando tentava recolher uma reação das autoridades às denúncias de tortura aos presos num comando policial nos arredores de Luanda.
Queirós Anastácio Chilúvia está preso desde domingo por investigar denúncias de maus-tratos aos presos em Cacuaco, Luanda.

Queirós Anastácio Chilúvia foi detido no domingo, após emitir uma reportagem para a Rádio Despertar sobre as queixas dos detidos no Comando Municipal da Polícia Nacional angolana em Cacuaco, perto de Luanda. Segundo testemunhas ouvidas pelo portal Maka Angola, o jornalista entrou no Comando Municipal para obter uma reação por das autoridades policiais, e estas detiveram-no imediatamente.

O advogado de Queirós Chilúvia declarou ao Maka Angola que o seu cliente percorreu a pé e algemado os 500 metros que separam a prisão onde passou a noite do tribunal, com o objetivo de “o exporem à humilhação pública”. Nem a polícia nem o tribunal o autorizaram o jornalista a falar com o seu advogado antes de um julgamento que não chegou a acontecer. “Não houve julgamento porque a procuradora achou pouco fundamentada a acusação contra o meu cliente e devolve o processo à DNIC para investigar. Aqui prende-se primeiro, depois investiga-se”, disse Africano Cangombe ao Maka Angola, acrescentando que o seu cliente está acusado de calúnia, difamação e prestação de falsas declarações contra a polícia, pelo que foi reconduzido à sua cela. O Sindicato de Jornalistas Angolanos já condenou a detenção de Queirós Chilúvia, pela voz da sua secretária-geral, Luísa Rogério.

Segundo o portal MISA-Angola, as denúncias de torturas naquela localidade não são desconhecidas dos jornalistas e ativistas dos Direitos Humanos angolanos, que têm ouvido críticas acerca da violação dos direitos dos detidos no Comando Municipal, bem como da brutalidade, tortura e até desaparecimento dos que lá vão parar.

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