You are here

Jornal de Notícias fora das bancas pelo segundo dia consecutivo

É a primeira vez, em 135 anos, que os leitores não têm acesso ao JN dois dias seguidos, na sequência da greve contra o despedimento coletivo, o atraso no pagamento de salários e as más condições de trabalho na nova sede. Bloco acompanha luta dos trabalhadores e interpela Governo.
Foto de Somos JN.

Na quinta-feira, segundo dia da paralisação dos trabalhadores do Jornal de Notícias (JN), com uma adesão de quase 100% em Lisboa e no Porto, realizou-se uma marcha na cidade nortenha entre a Torre do JN, a antiga sede na Rua de Gonçalo Cristóvão, e a Câmara Municipal.

Munidos com cartazes com frases como “JN resiste”, “Notícia de Última Hora: O JN não vai embora”, “Já nos tiraram da baixa, agora quem tirar-nos das bancas”, “Despedimento coletivo: JN destruído”, “O JN merece +”, “Somos JN, em defesa do Jornal de Notícias, do jornalismo e das pessoas”, “JN sem jornalistas = jornal sem notícias”, os jornalistas, e todas as pessoas que se juntaram, fizeram com que o eco do protesto chegasse ao Conselho de Ministros, que decorreu nos Paços do Concelho, e ao presidente da autarquia, Rui Moreira.

A par da expressiva adesão dos trabalhadores do JN a esta luta “pelo jornalismo e pelos leitores”, várias têm sido as personalidades, de inúmeros setores, a solidarizarem-se com a causa, e a alertarem para as consequências do despedimento no que respeita à viabilidade do título. Também a petição Somos JN - Em defesa do Jornal de Notícias, do jornalismo e das pessoas já reuniu mais de 6.000 assinaturas.

O Bloco de Esquerda tem acompanhado a luta dos trabalhadores, com a qual se solidariza, e interpelado o Governo sobre as decisões tomadas pelo Grupo Global Media.

Em pergunta entregue ao ministro da Cultura, José Soeiro e Joana Mortágua defenderam que a ameaça de despedimentos no grupo “é inaceitável” e exigiram “uma resposta célere por parte do Governo".

Numa mensagem de apoio enviada à redação do JN, Mariana Mortágua frisa que “o Jornal de Notícias faz parte de um compromisso com o jornalismo livre, democrático e independente”, e alerta que “este compromisso está hoje colocado em causa” face ao despedimento coletivo anunciado.

A questão dos despedimentos no JN também foi levada a debate parlamentar por José Soeiro: “São 135 anos de História de um jornal nacional feito a partir do Norte, sobretudo a partir do Porto, que está ameaçado por uma decisão indigna de um fundo de investimento e de uma administração de um grupo que quer cortar para metade a Redação de um jornal que dá lucro, de um jornal que tem mais de 30 mil exemplares vendidos por dia, de um jornal com mais de 2,8 milhões de leitores”, afirmou o deputado bloquista.

 

(...)