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Jornal de Angola acusa Portugal de promover “vingança de colono”

No editorial publicado esta sexta-feira, o Jornal de Angola sai em defesa da reputação de Manuel Vicente, vice presidente do país, sublinhando que “a instrumentalização da justiça portuguesa para lançar na lama o nome dos dirigentes angolanos e africanos de uma forma geral prossegue de forma frenética e imparável”.
José Eduardo dos Santos, a sua esposa, Ana Paula dos Santos, e o vice-presidente angolano, Manuel Vicente. Foto de PAULO NOVAIS/LUSA.

Dez dias após o ex-procurador do DCIAP Orlando Figueira ter sido detido no âmbito de uma investigação que envolve o vice-presidente de Angola, o Jornal de Angola publica um editorial intitulado “Vingança de colono”, no qual diz que a investigação que envolve Manuel Vicente é um ato de “revanchismo luso”.

“Depois dos artifícios fracassados da desestabilização militar e da guerra, depois de perderem no campo das eleições e depois de falharem no domínio bancário e económico, os responsáveis da antiga metrópole colonial manipulam agora os corredores da justiça para tentarem conseguir os seus intentos de neo-colonização”, lê-se no texto.

O Jornal de Angola refere ainda que “depois de tanto fracasso, voltam desta vez a atentar contra a honra, o bom-nome, a imagem e a reputação do Vice-Presidente de Angola, procurando envolvê-lo em mais um escândalo de corrupção de tantos que atravessam hoje Portugal e a Europa e que revelam o estado de imoralidade e falta de integridade preocupante que se nota em alguns círculos do velho continente”.

E acrescenta: “Por cada novo escândalo e crise que rebentam em Portugal, a atitude quase pavloviana que se instalou na sociedade portuguesa, por culpa de políticos antigamente ligados à UNITA de Savimbi e ao apartheid e agora movidos pela fúria da vingança, de estabelecerem uma ligação directa de Angola aos problemas que surgem parece doentia, fruto de recalcamentos não curados e a precisar de urgente tratamento psicanalítico.

No editorial é realçada “a reação de grande dignidade de Manuel Vicente”, sublinhando que estamos mais um “exemplo tanto da falta de pudor como do revanchismo luso”.

O Jornal de Angola acusa a magistratura portuguesa de se deixar “corromper por meia dúzia de tostões”, o que é justificado pelo “sistema generalizado de clientelismo e no tipo de relações morais e culturais historicamente implantadas na vida portuguesa”.

O escândalo na FIFA é apontado como a prova de “os esquemas de fraude e corrupção mundiais nascem e desenvolvem-se a partir da Europa, e não fora dela”, sendo que “esse facto retira toda a credibilidade e atira até para o campo do ridículo todo o discurso académico e bem-falante que vem de alguns dirigentes e eurodeputados de Bruxelas acerca da necessidade do combate à corrupção e da promoção dos direitos humanos para o continente africano”.

“Percebe-se que em Portugal é muito mais fácil exigir direitos do que respeitar os dos outros. Enquanto a corrupção, o clientelismo e a vontade de vingança decidirem o atual pensamento europeu e a justiça, tudo vale como instrumento de ataque contra Angola e os seus dirigentes”, remata o Jornal de Angola.

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