Jornais brasileiros deixam de publicar sondagens com Lula

05 de September 2018 - 11:16

O ex-presidente brasileiro recorreu da decisão judicial que impede a sua candidatura, invocando a posição do Comité de Direitos da ONU a seu favor. Procurador tenta afastar também o candidato a vice de Lula.

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São Paulo 27/09/2016 Ex-Presidente Lula com Fernando Haddad na Casa de Portugal. Foto Pauo Pinto/Agencia PT

A decisão do Tribunal Superior Eleitoral, tomada na passada sexta-feira, retirou a Lula da Silva o direito de se candidatar às próximas eleições presidenciais, cujas sondagens lidera por larga margem. Os advogados de Lula anunciaram o recurso no Supremo, com carácter de urgência, para restabelecer os direitos políticos do ex-presidente preso desde abril.

O argumento principal do recurso invoca a decisão do Comité de Direitos da ONU para que sejam retirados os entraves à candidatura de Lula. O relator do recurso será o único magistrado que se opôs à decisão tomada na sexta-feira pelos juízes.

Para além de impedir a presença de Lula nos materiais de campanha, a decisão do tribunal teve o efeito de suspender a  publicação de sondagens com o nome de Lula da Silva. As sondagens do Ibope e da Datafolha para aos grandes órgãos de comunicação, autorizadas pelo tribunal antes da decisão de afastar Lula da eleição, já não serão publicadas, informaram os dois institutos de sondagens.

Procurador "ressuscita" denúncia de 2015 para afastar vice de Lula

O mais recente alvo de acusações do Ministério Público é Fernando Haddad, o ex-prefeito de São Paulo que assumirá o lugar de Lula, caso o ex-presidente seja impedido de se candidatar às eleições de outubro.

Haddad foi agora acusado de corrupção e lavagem de dinheiro, com base numa denúncia de um empreiteiro feita em 2015. Para o procurador Marcelo Mendroni, o tesoureiro do PT, agindo em nome de Haddad, pediu 2.6 milhões de reais (cerca de 560 mil euros) ao empreiteiro Ricardo Pessoa para pagar materiais gráficos da campanha, sem declarar a origem do contributo.

A denúncia do empreiteiro já tem três anos e para o gabinete de Haddad “é notório que o empresário em causa já teve a sua delação rejeitada em quase uma dezena de casos e que ele conta suas histórias de acordo com seus interesses”. Por outro lado, lembram que o então prefeito decidiu, um mês e meio após tomar posse em São Paulo, anular a maior obra da construtora de Pessoa na cidade — um túnel na avenida Roberto Marinho — por haver indícios mais do que suficientes de sobrefaturação.