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Jorge Sampaio foi uma voz coerente e exigente por um mundo mais tolerante e aberto

No velório de Jorge Sampaio no antigo Museu dos Coches, Catarina Martins homenageou o homem da resistência anti-fascista que “fez pontes à esquerda” em Lisboa e mobilizou o país para um mundo aberto, solidário, cosmopolita e respeitador dos direitos humanos.
Velório de Jorge Sampaio no antigo Museu dos Coches, em Belém. Foto de Miguel A. Lopes, via Lusa.
Velório de Jorge Sampaio no antigo Museu dos Coches, em Belém. Foto de Miguel A. Lopes, via Lusa.

Milhares de cidadãos juntaram-se para o velório de Jorge Sampaio, que decorre este sábado até às 23h no antigo Museu dos Coches. Catarina Martins esteve presente e prestou homenagem ao ex-Presidente da República.

“Em democracia, Jorge Sampaio fez pontes à esquerda que permitiram o desenvolvimento de projetos que mobilizaram todo o país, projetos contra a pobreza e uma nova ideia de democracia que levaram à sua vitória na Câmara Municipal de Lisboa e depois para a presidência da República”, começou por dizer.

E relembrou que “até ao final dos seus dias foi uma voz por esta ideia de um Portugal aberto, solidário, cosmopolita e respeitador dos direitos humanos, e envolveu-se em todas as batalhas muito para lá dos cargos institucionais que ocupou, seja as funções que teve na luta contra a tuberculose, o diálogo entre culturas”. E, mais recentemente, “a forma como abraçou a responsabilidade no acolhimento dos refugiados, nesta exigência de que deixa o país lembrando que a solidariedade não é uma opção mas um dever”.

Catarina enfatizou também “a forma coerente como se colocou contra a política da guerra, quando se opôs ao envio de tropas para o Iraque. Esta coerência e vontade exigente que o mundo seja tolerante, aberto e tenha paz é fundamental”.

Jorge Sampaio “marcou as diferentes gerações de formas diferentes mas sempre marcantes. A sua resistência anti-fascista é extraordinariamente importante. Depois, a forma como foi capaz de mobilizar a esquerda para uma nova política em Lisboa, transformando-a numa cidade mais aberta, e, finalmente, enquanto Presidente da República, o papel que teve em todas as questões dos direitos humanos e na forma como Portugal se colocou na solidariedade com Timor-Leste. Jorge Sampaio abraçou as lutas mais difíceis nas várias fases da sua vida. Esse é certamente um dos seus legados e aqui estamos para o homenagear”, concluiu.

O funeral terá lugar às 11h de domingo.

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