Milhares de cidadãos juntaram-se para o velório de Jorge Sampaio, que decorre este sábado até às 23h no antigo Museu dos Coches. Catarina Martins esteve presente e prestou homenagem ao ex-Presidente da República.
“Em democracia, Jorge Sampaio fez pontes à esquerda que permitiram o desenvolvimento de projetos que mobilizaram todo o país, projetos contra a pobreza e uma nova ideia de democracia que levaram à sua vitória na Câmara Municipal de Lisboa e depois para a presidência da República”, começou por dizer.
E relembrou que “até ao final dos seus dias foi uma voz por esta ideia de um Portugal aberto, solidário, cosmopolita e respeitador dos direitos humanos, e envolveu-se em todas as batalhas muito para lá dos cargos institucionais que ocupou, seja as funções que teve na luta contra a tuberculose, o diálogo entre culturas”. E, mais recentemente, “a forma como abraçou a responsabilidade no acolhimento dos refugiados, nesta exigência de que deixa o país lembrando que a solidariedade não é uma opção mas um dever”.
Catarina enfatizou também “a forma coerente como se colocou contra a política da guerra, quando se opôs ao envio de tropas para o Iraque. Esta coerência e vontade exigente que o mundo seja tolerante, aberto e tenha paz é fundamental”.
Jorge Sampaio “marcou as diferentes gerações de formas diferentes mas sempre marcantes. A sua resistência anti-fascista é extraordinariamente importante. Depois, a forma como foi capaz de mobilizar a esquerda para uma nova política em Lisboa, transformando-a numa cidade mais aberta, e, finalmente, enquanto Presidente da República, o papel que teve em todas as questões dos direitos humanos e na forma como Portugal se colocou na solidariedade com Timor-Leste. Jorge Sampaio abraçou as lutas mais difíceis nas várias fases da sua vida. Esse é certamente um dos seus legados e aqui estamos para o homenagear”, concluiu.
O funeral terá lugar às 11h de domingo.