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Jerónimo Martins volta a enfrentar acusação de enganar clientes na Polónia

A autoridade polaca de proteção do consumidor acusa os supermercados Biedronka de usarem campanhas que induzem os clientes em erro. E ameaça com multa de 1.500 milhões de euros.
Supermercado Biedronka. Foto Babij/Flickr

Nos últimos anos, os supermercados Biedronka, do mesmo grupo que em Portugal detém a marca Pingo Doce, têm sido alvo da atenção da agência polaca de proteção do consumidor. No ano passado o grupo Jerónimo Martins foi acusado de induzir os consumidores em erro quanto ao país de origem dos legumes e frutas expostos nos supermercados e condenado a pagar 13,2 milhões de euros. Em 2020 foi condenada a pagar 26 milhões por praticar preços diferentes dos expostos nas prateleiras e 163 milhões por impor descontos aos fornecedores de forma arbitrária, tendo recorrido de ambas as decisões.

Desta vez, o jornal Expresso dá conta da instauração de três processos contra os supermercados Biedronka, que acusa de induzir os clientes em erro na sua campanha "escudo anti-inflação" no passado mês de junho, que prometia devolver a diferença em 150 produtos se os clientes encontrassem mais barato noutro local.

Uma das acusações diz respeito à ausência do regulamento da campanha nas lojas, estando apenas disponível na internet. Outras referem-se aos detalhes da campanha, que só eram do conhecimento dos clientes quando tentavam efetuar o reembolso. Afinal, não bastava comprar o mesmo produto mais barato noutro sítio, pois o regulamento especificava quais as cadeias da concorrência a que a promoção se aplicava. E para obter o reembolso da diferença de preços, "as condições regulatórias eram muito mais exigentes e até mesmo onerosas, o que poderia fazer com que recorrer à campanha promocional se tornasse não lucrativo", diz a autoridade polaca citada pelo Expresso.

Além disso, as compras tinham que ser feitas na mesma semana e além de ser necessário  tirar fotos do produto comparado (juntamente com o rótulo com os ingredientes), deviam guardar os recibos da compra e contactar o supermercado por via eletrónica para reclamar a promoção. Depois, caso o pedido fosse aceite, teriam ainda de imprimir e enviar as fotos e os recibos por correio postal. E se no final os clientes estavam à espera de receber alguns zlotys na conta bancária, ficavam desiludidos: o reembolso era afinal um código de desconto nas lojas do grupo e apenas com sete dias de validade.

"As regras pareciam simples, a promessa tentadora, mas a realidade acabou por ser diferente", conclui a autoridade polaca de proteção da concorrência e do consumidor. Quanto à Jerónimo Martins, disse ao Expresso não ter sido notificada formalmente das novas acusações.

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