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Jatos privados: PS e direita chumbam fim do "capricho dos super-ricos"

Por iniciativa do Bloco, o Parlamento debateu iniciativas para restringir os voos dos jatos privados, mas também os "voos fantasma" feitos pelas companhias para garantir slots nos aeroportos, além da proibição dos voos noturnos.
Pedro Filipe Soares no plenário parlamentar desta sexta-feira. Imagem ARTV

O Bloco levou a debate no Parlamento esta sexta-feira três projetos de lei sobre tráfego aéreo. O primeiro visa limitar a aterragem e descolagem de jatos privados em Portugal e Pedro Filipe Soares lembrou que "uma viagem em jato privado é 10 vezes mais intensiva em termos energéticos que num avião comercial e 50 vezes mais intensiva que num comboio". Ou seja, "este capricho dos super-ricos tem um enorme custo ambiental", apontou o líder parlamentar bloquista.

"Num momento em que o mundo tem de responder ao flagelo das alterações climáticas, os super-ricos não podem ter um privilégio de super-poluição", prosseguiu Pedro Filipe, acrescentando que "não é a ideia do poluidor-pagador que resolve esta questão, como propôs o PAN e aceitou o Governo". Para o deputado do Bloco, neste contexto "a taxação é inútil", pois para "quem tem milhares de milhões de euros não é por mais umas centenas de euros que deixa de usar um jato privado".

A questão, concluiu o deputado, "é se aceitamos um modelo de desigualdade onde a poucos super-ricos tudo é permitido, com um impacto gigantesco no planeta e nas pessoas com menos rendimentos que são quem sofre os impactos mais intensos das alterações climáticos. A nossa resposta é clara: não aceitamos".

A proposta bloquista foi chumbada pelo PS, PSD, Chega e Iniciativa Liberal, com a abstenção do PCP.

Quanto à segunda proposta, o objetivo era acabar com os chamados voos fantasma, em que os aviões circulam vazios ou com quase nenhuns passageiros entre aeroportos com o único objetivo de não perder os slots horários nesses aeroportos. Esta situação de "concorrência para o absurdo" decorre da liberalização do espaço aéreo europeu e entre descolagens e aterragens destes voos em Portugal, nos últimos três meses de 2021 houve 325 casos, segundo a Autoridade Nacional da Aviação Civil. Para Pedro Filipe Soares, "além dos custos ambientais óbvios e diretos, é nesta gestão irracional que depois se explica uma parte da sobrelotação dos aeroportos" e a pressão para o aumento dos voos noturnos.

O fim destes voos fantasma em Portugal foi igualmente chumbado com os votos do PS e dos partidos da direita.

A terceira proposta era justamente acabar com esses voos civis noturnos em Portugal, dado que "existe uma relação direta entre esse sobressalto noturno criado pelos voos e a perda de qualidade de vida e a profusão de várias doenças, entre as quais as cardiovasculares". Aqui, apenas o Chega se junou ao PS para o chumbo da proposta, com a abstenção do PSD e IL.

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