You are here

Japão retoma a caça comercial à baleia

As duas primeiras baleias caçadas para fins explicitamente comerciais em 31 anos chegaram esta terça-feira à costa japonesa. Os tradicionalistas celebram. Só que, ironicamente, os ambientalistas avisam que, com cortes nos subsídios, pode ser o começo do fim desta prática.
Barco japonês de caça à baleia. 2014.
Barco japonês de caça à baleia. 2014. Foto de Global Panorama/Flickr

Um dia depois do G20, os cinco barcos que saíram do porto de Kushiro na madrugada de segunda-feira tinham uma missão que era celebrada pelos setores mais tradicionalistas do Japão mas contestada internacionalmente: retomar simbolicamente a caça comercial à baleia 31 anos depois. Segundo os próprios responsáveis pela expedição, até não esperavam trazer nada. Mas afinal caçaram mesmo duas baleias-de-Mink, tendo o feito sido celebrado com sake à chegada.

É a primeira vez que acontece desde 1988, ano em que, sob pressão internacional, a caça comercial de baleias foi suspensa no Japão. Mas isso não quer dizer que há 31 anos que não havia caça às baleias neste país. No período seguinte a caça foi feita em nome da “investigação”.

A Agência de Pescas nacional garantiu que a caça apenas vai acontecer na zona económica exclusiva do Japão e que a quota anual vai ser apenas de 227 baleias, o que representaria um decréscimo relativamente a anos anteriores.

A retoma desta prática com fins abertamente comerciais foi alvo de polémica por parte dos grupos de defesa dos animais. As perspetivas dividem-se entre quem pensa que esta decisão é uma porta aberta para a continuação da prática e mesmo para a sua liberalização e quem saliente o contrário: enquanto os programas de “investigação” asseguravam um financiamento estatal que perdia mais de uma dezena de milhões de euros por ano, a retirada destes subsídios deixará a caça a baleia entregue a uma comunidade mínima de poucas centenas de pessoas que enfrentam um mercado cada vez mais hostil. Patrick Ramage, diretor do Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal, partilha este ponto de vista. Diz que “estamos a assistir ao princípio do fim da caça à baleia japonesa”, sendo esta solução “melhor para as baleias, para o Japão, para os esforços de conservação marinha internacional.”

Nos anos recentes, o consumo de carne de baleia tem descido drasticamente num mercado que é, ainda assim, de quatro a cinco toneladas anuais. Há atualmente seis centros de tratamento da carne a funcionar, sobretudo no norte do Japão.

Também noutros países que mantêm esta tradição de caça, como a Noruega e a Islândia, o consumo está em baixo e a pressão em alta, não chegando a cumprir as quotas de caça que lhes estão permitidas pelos acordos internacionais. Para além dos ecologistas, interesses do setor turístico insurgem-se contra esta prática que faz perder turistas.

Termos relacionados Ambiente
(...)