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Impasse em Itália: Nenhuma formação política obtém maioria suficiente para governar

O Movimento 5 Estrelas é a maior força política no Parlamento, com 32,7% dos votos. A Liga Norte, aliada de Le Pen, obteve 17,4%. No total, a coligação de centro-direita reuniu 37%. O Partido Democrático, com 18,7%, obteve o seu pior resultado. A lista Livres e Iguais somou 3,4% e a plataforma Poder ao Povo 1,1%.
Foto de Giorgio Benvenuti, Epa.

O Movimento 5 Estrelas (MS5), eurocético e populista, liderado por Luigi Di Maio, é a maior força política no Parlamento, com 32,7% dos votos para a Câmara e 32,2% para o Senado. Apesar de, durante toda a campanha, ter afirmado que não faria coligações, Di Maio já assumiu que procurará o apoio de outras forças.

A Liga Norte, de Matteo Salvini, aliada de Marine Le Pen na Europa, obteve 17,4% dos votos para a Câmara e 17,6% para o Senado. Coligada com o Força Itália, de Berlusconi (14% para a Câmara e 14,4% para o Senado), o Irmãos de Itália (4,3% para a Câmara e para o Senado) e o Nós com Itália (1,3% para a Câmara e 1,2% para o Senado) reuniu, no total, 37% dos votos para a Câmara e 37,5% para o Senado.

Através da rede social Twitter, a líder da Frente Nacional de França saudou Salvini pelo resultado eleitoral, frisando que tal "progressão espetacular" está inserida "numa nova etapa do despertar dos povos".

A coligação encabeçada pelo Partido Democrático (PD), no poder desde 2013, ficou-se pelos 22,8% para a Câmara e 23% para o Senado. O PD, com 18,7% dos votos para a Câmara e 19,1% para o Senado, obteve o pior resultado desde a sua formação em 2007. Matteo Renzi apresentou a sua demissão após o fracasso eleitoral, deixando um recado ao seu partido, no sentido de que não deverá procurar qualquer aliança pós-eleitoral com “partidos extremistas”.

A lista Livres e Iguais (LeU), liderada por Pietro Grasso, antigo juiz anti Máfia e atual presidente do Senado, obteve 3,4% dos votos para a Câmara e 3,3% para o Senado.

A plataforma Poder ao Povo, que agrega setores da esquerda social e política que não se revêem nas duas vias da social democracia em presença, somou 1,1% dos votos para a Câmara e 1% para o Senado.


Ler também: Poder ao Povo – a esquerda italiana (de novo) em movimento


A 23 de março, o Parlamento irá reunir-se e os novos deputados e senadores eleitos serão chamados a escolher os seus líderes. A partir daí estarão reunidas as condições para que o presidente italiano, Sergio Mattarella, comece a ouvir os líderes partidários, logo a partir do início de abril.

O MS5 destacou que “ninguém vai poder governar” Itália sem ele.

Vamos assumir a responsabilidade de formar este governo, mas de uma forma diferente, falando com todos os partidos sobre o que este país precisa”, referiu Riccardo Fraccaro, um dos responsáveis do partido mais votado.

Já Matteo Salvini sublinhou que os resultados da extrema-direita foram “fantásticos”.

Logo pela manhã, Salvini, citado pelo La Repubblica, vincou que “a Liga venceu no centro-direita e continuará a liderar o centro-direita”. É uma coligação “que venceu e pode governar", sinalizou.

A Força Itália emitiu, entretanto, um comunicado no qual assinala que “obteve um apoio importante”, informando que, “esta tarde, o presidente Berlusconi encontrou Matteo Salvini e confirmou que, com este resultado, as forças de centro-direita poderão reforçar a coligação que terá o mandato para governar a Itália".

 

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