You are here

Itália: Eleições municipais foram dura derrota para o partido do governo

A segunda volta das eleições municipais de 19 de junho foram uma dura derrota para o partido do governo, o Partido Democrático (PD) e para o seu líder, Renzi. O Movimento 5 Estrelas (M5S) ganhou cidades fundamentais do país como Roma e Turim, a maior cidade industrial. Artigo de Franco Turigliatto.
Os resultados das eleições municipais deixaram Mateo Renzi preocupado.

A candidata do Movimento Cinco Estrelas (M5S) em Roma, Virginia Raggi, obteve uma vitória esmagadora tendo obtido mais 300 mil votos do que no escrutínio da primeira volta, capitalizando não só o apoio de toda a oposição ao candidato do PD, Roberto Giachetti, mas também o voto dos residentes nos bairros populares da capital italiana.

Em Turim, independentemente do poderio económico daquela cidade onde se situa a sede da Fiat e o Banco Intesa San Paolo que estavam ao lado do candidato do PD e Presidente da Câmara, Piero Fassino, a candidata do M5S, Chiara Appendinno, conseguiu polarizar o descontentamento social e quase duplicar a votação junto dos trabalhadores que têm realizado várias greves e também junto de amplos setores da pequena burguesia empobrecida. O êxito eleitoral de Appendinno foi também claro nas zonas mais populares da cidade.

Os bons resultados alcançados pelo PD em Milão e Bolonha não conseguiram assim atenuar a derrota global do partido nestas eleições, porque não confirmaram os resultados da primeira volta e também porque foram obtidos num momento em que a direita enfrenta dificuldades.

Acresce que em muitas cidades italianas de tamanho médio saíram vencedoras as coligações de centro-direita que se constituíram para este ato eleitoral e também o M5S.

Nápoles, a exceção antiausteridade

O êxito eleitoral do M5S fica fundamentalmente a dever-se a um discurso ambíguo centrado na honra e na crítica em relação à classe política pontuado, por vezes, com objetivos de natureza social defendidos pelos partidos de esquerda com o propósito de ganhar o maior número de votos possível junto de todo o espetro político italiano. Esta implantação corresponde à sua natureza interclassista.

A vitória do M5S é também fruto dos duros fracassos registados pelas forças de esquerda na primeira volta das eleições que, desta forma, pagam o preço pelo facto de num passado recente terem tomado posições que puseram em questão os seus próprios programas.

Nápoles foi assim um caso particular: a grande vitória obtida por Luigi de Magistris sobre o candidato da direita e com o PD excluído da segunda volta, resultou de uma coligação claramente posicionada à esquerda, e representa a derrota de todo o campo político que ocupou o  poder nos últimos 25 anos. Esta coligação e este presidente assumiram uma posição radical contra as políticas de austeridade, estabelecendo fortes ligações com os movimentos sociais e com as lutas em torno da unidade e do respeito pela diversidade.

Luigi de Magistris sublinhou que a sua vitória foi obtida contra o PD, contra a direita e contra o M5S.

Finalmente, estas eleições, mostram às classes dominantes a fragilidade de um pacto institucional concebido para gerir o bipartidarismo da austeridade entre o centro-esquerda e o centro-direita sem surpresas. Este resultado mostra que o pacto pode até facilitar as surpresas que pretende impedir.

A lei eleitoral do Italicum (reforma da lei eleitoral, que tem como principal objetivo dar maior estabilidade ao governo) independentemente de ser muito elogiada poderá ter um efeito boomerang contra a estabilidade institucional e o referendo sobre a contrarreforma institucional de natureza antidemocrática que Renzi espera ganhar facilmente no Outono, surge agora como um objetivo um pouco mais difícil de atingir.

Artigo de Franco Turigliatto publicado no Viento Sur em 21 de junho de 2016. Tradução de Faustino Eguberri, para espanhol, e de Pedro Ferreira para português para esquerda.net.

Artigos relacionados: 

Termos relacionados Internacional
(...)