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Israel proíbe entrada no país a estudante de Coimbra

Moara Crivelente, doutoranda da Universidade de Coimbra, foi impedida de entrar em Israel quando tentava ir para a Palestina no âmbito de um trabalho de investigação. Investigadora ficou proibida de entrar no país durante dez anos. Israel alega “razões de segurança” para deportar quem é solidário com luta palestiniana pelo fim da ocupação.

Segundo a estudante luso-brasileira explicou à Agência Brasil, chegou a Tel Aviv, capital de Israel, à meia-noite de domingo, com destino a Ramallah, na Palestina, para realizar um estudo.

 No aeroporto foi informada por agentes da segurança de que seria deportada, e que ficaria proibida de entrar no país durante dez anos. À investigadora foi dito que a decisão se devia ao facto de ter "participado de protestos contra a ocupação", o que, vincaram, "era muito, muito grave".

 Moara Crivelente, que faz parte do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), organização civil contrária à ocupação da Palestina por Israel, explicou que já esteve em protestos para escrever sobre essas manifestações.

 "Disseram que, se cooperasse, repensariam a decisão. A cooperação significava passar contatos de palestinianos, informações sobre cada lugar em que estive na Palestina e a senha do meu telemóvel, imagino que para tentar apanhar contatos de palestinianos", relatou, referindo ainda que foi submetida a revistas e interrogatórios.

 Depois de várias horas de espera no centro de detenção da Autoridade de População, Imigração e Fronteiras do Ministério do Interior israelita, a investigadora, que viu os passaportes português e brasileiro carimbados com a proibição, foi deportada para Portugal. No local, Moara Crivelente conheceu uma australiana que estava a ser deportava sob a mesma alegação.

 "Isso acontece sistematicamente com vários ativistas que demonstram solidariedade à Palestina", lamentou, sublinhando que agora terá de repensar o seu projeto de investigação e os impactos que isso tem na sua vida académica.

 Num texto publicado no Cebrapaz, no Resistência e no Portal Vermelho, Moara denuncia como Israel tem deportado a solidariedade por “razões de segurança”, lembrando que “a política israelita de deportação de ativistas solidários à causa palestiniana pelo fim da ocupação não é novidade”, e que, “em 2003, por exemplo, oito membros do International Solidarity Movement (Movimento Internacional de Solidariedade), todos europeus e norte-americanos, foram deportados porque protestavam contra o confisco de terras palestinianas para a construção do muro israelita próximo a Jenin, na Cisjordânia ocupada, ou porque removiam obstáculos nas estradas próximas a Nablus, colocando em evidência a dificuldade para a movimentação dos palestinianos nas suas próprias terras”.

Num artigo datado de julho de 2011, o diário israelita Haaretz dava conta de “Israel teve sucesso em impedir até o momento a entrada de 200 passageiros que desejavam vir a Israel como parte da campanha Bem-Vindo à Palestina”.

E “esta é apenas uma parte da tática israelita de perseguir qualquer manifestação de solidariedade aos palestinianos”, lamenta a estudante, assinalando que “as campanhas acadêmicas e o movimento por Boicote, Desenvolvimento e Sanções têm sido os alvos mais visíveis”.

“Também são perseguidas organizações israelenses de defesa dos direitos humanos e uma rede de soldados que decidiu comentar as arbitrariedades que o Exército comete na Palestina ocupada – Breaking the Silence”, refere Moara, sublinhando ainda que “também há inúmeros casos de palestinos deportados por Israel desde o início da ocupação militar”. 

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