“Israel não pode ter lugar no Conselho de Segurança da ONU”

14 de December 2017 - 13:59

“Cabe a Portugal e a todos os países europeus dizer claramente que não aceita que Israel possa candidatar-se ao Conselho de Segurança, quando não respeita as mais básicas resoluções sobre o respeito do povo palestiniano”, defendeu Catarina Martins, após o encontro com o Embaixador da Palestina em Lisboa.

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Foto de Esquerda.net.

Na manhã desta quinta-feira, a Coordenadora Nacional do Bloco de Esquerda, acompanhada pelo deputado José Manuel Pureza e pelas deputadas Isabel Pires e Joana Mortágua, reuniu com o Embaixador da Palestina em Lisboa, Nabil Abuznaid, e a investigadora luso-palestiniana Shahd Wadi.

No final do encontro, em declarações aos jornalistas, Catarina Martins defendeu que “Israel, para poder candidatar-se, tem de ter o apoio da Europa e, por isso, cabe a Portugal e a todos os países europeus dizer claramente que não aceita que Israel possa candidatar-se ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, quando não respeita as mais básicas resoluções sobre o respeito do povo palestiniano”.



O Bloco irá questionar o executivo português sobre o assunto e defende “posição firme sobre esta matéria”. Para Catarina Martins, “Portugal sempre teve uma posição clara sobre a paz e os direitos do povo palestiniano, e agora deve ter uma voz firme recusando uma candidatura de Israel ao Conselho de Segurança” da ONU (Organização das Nações Unidas).

"Há uma condenação clara da ação da administração norte-americana”

Sobre a reação do Governo português à decisão do Presidente dos EUA, Donald Tump, em reconhecer Jerusalém como capital de Israel, Catarina Martins afirmou que a resposta de Lisboa esteve bem e sublinhou que esta não foi neutra, dado que “há uma condenação clara, do ponto de vista do país, tanto do parlamento como do Governo, da ação da administração norte-americana”.

O Presidente dos Estados Unidos é “um incendiário que está a querer semear a guerra em todos os pontos do planeta”.

Na segunda-feira passada, em Bruxelas, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, garantiu que o Governo português transferirá a sua representação diplomática em Israel de Telavive para Jerusalém no “exato dia” em que transferir também para esta cidade a representação na Palestina.

Para a Coordenadora do Bloco, o Presidente dos Estados Unidos é “um incendiário que está a querer semear a guerra em todos os pontos do planeta”. O conflito israelo-palestiniano “é mais uma peça desta enorme irresponsabilidade belicista de Trump” e “todos os países devem contrariar e devem assumir as suas responsabilidades em processos de paz”, sustentou.

Tal como no passado, Portugal deve prosseguir com as suas posições a favor do diálogo e da paz na região, defende o Bloco. “Há sofrimento demais e há tantas resoluções de direito internacional. Se começássemos a cumprir um pouco do que foi decidido, poderíamos ter um processo de paz que acabasse com o sofrimento e a opressão terrível a que o povo palestiniano é sujeito”, afirmou Catarina Martins.

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