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Israel expulsou diretor da Human Rights Watch

O cidadão norte-americano Omar Shakir, diretor da Human Rights Watch para Israel e para a Palestina, foi expulso do país pelo governo israelita sob a acusação de apoiar o movimento internacional de boicote a Israel.
Omar Shakir, diretor da Human Rights Watch para Israel e para a Palestina, no aeroporto pouco antes de ser expulso de Israel. Novembro de 2019.
Omar Shakir, diretor da Human Rights Watch para Israel e para a Palestina, no aeroporto pouco antes de ser expulso de Israel. Novembro de 2019. Foto: Twitter de Omar Shakir.

Em 2017, o governo israelita adotou uma lei contra o movimento internacional de boicote de que é alvo. Esta impede a entrada no país e prevê a expulsão dele de quem apoie o movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções.

A primeira pessoa a ser expulsa no âmbito desta lei é o Diretor-executivo da associação defensora dos direitos humanos Human Rights Watch. Omar Shakir foi obrigado a sair do país esta segunda-feira acusado de apoiar a campanha internacional de boicote a Israel, três semanas depois do Supremo Tribunal de Israel ter validado a decisão do governo de revogar a autorização de residência e trabalho do dirigente associativo.

Apesar de ser a primeira expulsão do território, não é o primeiro caso mediático em que a lei foi aplicada. Em agosto passado, as duas congressistas americanas que pretendiam visitar a Palestina, Ilhan Omar e Rashida Tlaib, foram impedidas de entrar em Israel.

Tanto a HRW quanto Shakir asseguram que não fizeram parte de nenhum plano para boicotar Israel. Mas Shakir faz questão de sublinhar “acreditamos no direito à liberdade de expressão e isto inclui o direito legítimo de cada um de apelar ao boicote ou de a ele se opor”.

No aeroporto, imediatamente antes de ser expulso, Omar Shakir considerou o caso como “um esforço para amordaçar a Human Rights Watch”, acreditando que “um dia hão-de-me receber aqui, espero que num dia melhor, num dia em que israelitas e palestinos vejam os seus direitos humanos respeitados”.

A expulsão não significa desistência do seu trabalho para Shakir. Este continuará a avaliar as violações de direitos humanos cometidas por Israel, apoiando-se numa rede de colaboradores da Organização Não-Governamental.

Sobre o caso, o diretor da própria organização, Kenneth Roth, acrescentou: “não me lembro de outra democracia que tenha bloqueado o acesso a um investigador da Human Rights Watch”. Também União Europeia e Organização das Nações Unidas manifestaram a sua discordância pela decisão. António Guterres lamentou publicamente a decisão, tendo manifestado o seu apoio “ao trabalho importante feito pelos defensores dos direitos humanos em todo o mundo”.

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