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Irlanda: Governo penalizado nas urnas, Sinn Féin reforça resultados

Coligação governamental que aplicou políticas de austeridade perde maioria: Fina Gael passa de 36,10% para 25,52% dos votos e Labour desce de 19,5% para 6,61%. Já o Sinn Féin sobe de 9,9% para 13,85%, obtendo, até à data, 23 deputados. Aliança de esquerda Anti Austerity Alliance - People Before Profit consegue 3,95% dos votos e seis assentos no novo parlamento. Notícia atualizada às 18h17 de 01.03.2016.
Foto de Sinn Féin.

A Irlanda tem-nos sido apresentada, tanto pela Comissão Europeia como pelo Governo alemão, como um exemplo de sucesso e como a prova empírica de que a receita austeritária da troika resulta. O povo irlandês parece discordar, expressando-o nas urnas.

Embora estejam ainda por atribuir dois dos 158 lugares no parlamento, já é certo que a coligação governamental - Fina Gael e Labour (Partido Trabalhista) -, que conduziu a política de austeridade no país, sofre uma pesada derrota, não alcançando a maioria absoluta.

O partido democrata-cristão Fine Gael, liderado por Enda Kenny, passa de 36,10% para 25,52% dos votos, com 49 deputados atribuídos até ao momento, contra os 76 de 2011, continuando, contudo, a ser o maior partido no parlamento.

Já o Labour, muitas vezes acusado de ter traído a classe trabalhadora e a população em geral, regista uma queda ainda maior, descendo de 19,5% para 6,61%, o que poderá representar uma descida de 37 para 6 deputados.

Por outro lado, o partido de direita Fiánna Fail consegue 24,35% dos votos, com 44 deputados, contra os 17,50% alcançados em 2011, o que levanta o espectro de uma aliança entre os dois partidos rivais desde a guerra civil irlandesa e da formação de um possível governo de coligação Fiánna Fail- Fine Gael.

Estes dois partidos contam, até à data, com 93 deputados, o que lhes permite assegurar uma maioria absoluta.

O primeiro-ministro da Irlanda já veio admitir a derrota, destacando que não pode “lutar contra a vontade do povo” e que “a democracia quando chega é impiedosa". Enda Kenny não quis, no entanto, adiantar se pondera avançar para uma aliança com o Fianna Fáil.

Também o líder do Fianna Fáil, Micheál Martin, foi evasivo sobre esta matéria, referindo que “as pessoas votaram contra [a permanência] do Fine Gael e do Labour no governo” e que “é preciso ter isso em conta”.

“Eu penso que ainda vai levar algum tempo a resolver isto e isto não ficará solucionado já amanhã. Acho que haverá uma base eleitoral importante ao centro e isso poderá influenciar o tipo de governo a ser formado", acrescentou.

Reforço histórico do Sinn Féin

Nestas eleições para o parlamento irlandês, o Sinn Féin alcança um resultado histórico, passando de 9,9% dos votos alcançados em 2011, para 13,85%, obtendo, até à data, 23 deputados, mais nove do que há cinco anos atrás.

O seu líder, Gerry Adams, já veio afirmar que estão “muito satisfeitos com o resultado” e que o objetivo de afastar a coligação Fina Gael/Labour do governo foi atingido. Por outro lado, garantiu que o Sinn Féin “não irá trair o seu eleitorado e trair as outras pessoas que precisam de um governo progressista”, pelo que não está disponível para sustentar um executivo conservador.

O Sinn Féin, “seja na oposição ou no governo, vai cumprir o seu mandato, e continuar a impulsionar o processo de mudança que está em curso", garantiu.

A aliança de esquerda Anti Austerity Alliance - People Before Profit (AAA-PBP), formada no ano passado, obtém 3,95% dos votos, com seis lugares atribuídos até ao momento.

Estas eleições representam, segundo a AAA-PBP, um verdadeiro “terramoto político” e o “colapso do sistema bipartidário”.

O partido recém formado Social Democrats regista 3% dos votos, com três lugares até à data, seguido do Green Party, com 2,72% e dois deputados. O também recém formado Renua Ireland não consegue, até ao momento, nenhum deputado, registando 2,18% dos votos.

Os candidatos independentes atingem os 17,83%, o equivalente a 23 assentos no novo parlamento. Entre eles encontra-se Seamus Healy, atual deputado pelo Workers and Unemployed Action que, em 2011, integrou as listas da United Left Alliance.

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