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"Insolvências fraudulentas devem ser investigadas”, afirma Catarina

Catarina Martins esteve com os trabalhadores à porta da fábrica de louça Maiólica, em Albergaria-a-Velha, que se mantêm ali dia e noite para evitar a saída das máquinas.
Catarina Martins e Nelson Peralta com as trabalhadoras da fábrica de louça Maiólica.
Catarina Martins e Nelson Peralta com as trabalhadoras da fábrica de louça Maiólica. Foto esquerda.net

A fábrica de louça Maiólica, em Albergaria-a-Velha, fechou portas há duas semanas, apanhando de surpresa as cerca de seis dezenas de trabalhadores, que não receberam o salário de janeiro. O Bloco questionou o governo sobre este encerramento e Catarina Martins deslocou-se ao local esta sexta-feira com o deputado Nelson Peralta para prestar solidariedade com os trabalhadores que se revezam à porta da fábrica. “Se não ficarem aqui dia e noite para que não saia o material, os patrões vêm cá, levam o material que está aqui dentro e com isso o dinheiro que lhes estão a dever”, afirmou Catarina aos jornalistas.
 
A visita serviu também para a coordenadora bloquista sublinhar que “há claramente um problema de insolvências fraudulentas em Portugal” e isso “só nos pode envergonhar”. Casos como este, de “empresas que fecham do dia para a noite” são insolvências que “devem ser investigadas”, defendeu Catarina. São situações em que “os donos da empresa vão trocando e quando uma empresa fecha vão buscar os trabalhadores a outra que acabou de fechar para abrirem uma nova fábrica e as pessoas continuam sempre sem progressões na carreira, sempre a ganharem salários mínimos” e arriscando voltar a perder o emprego de um dia para o outro, acrescentou.

“Há uma enorme incapacidade das entidades públicas de atuarem neste momento”, de forma a que não tenham de ser os trabalhadores a montarem guarda aos materiais da empresa, prosseguiu Catarina, defendendo que “os ministérios do Trabalho e Economia devem atuar imediatamente quando uma situação destas se coloca, para que os trabalhadores não fiquem sem acesso ao subsídio de desemprego e a terem de ficar à porta da empresa dia e noite sem nenhumas condições para não permitir que lhe roubem aquilo que é a garantia dos seus créditos sobre a empresa”.

Críticas que Catarina estendeu também à autarquia, que “nem sequer é capaz do mínimo de mandar um assistente social para falar com estas pessoas”. “A nossa exigência aqui é dupla”, acrescentou a coordenadora do Bloco: por um lado, “é preciso mexer no regime das insolvências e a Autoridade para as Condições do Trabalho tem de atuar mais”; e por outro, devem ser as entidades públicas “a defender os direitos destes trabalhadores e trabalhadoras”.

“Se há quem em Portugal puxa pela dignidade do país são estas trabalhadoras e trabalhadores que perante situações tão difíceis não desistem e ficam aqui 24 sobre 24 horas para defender os seus direitos”, sublinhou Catarina, deixando o apelo para que se façam Comissões de Trabalhadores (CT) em todas as empresas. “As CT têm alguns direitos a ir sabendo o que se passa com as contas da empresa. Onde houver CT que façam valer os seus direitos não pode haver insolvências destas, onde se fecha a porta de um dia para o outro sem que as pessoas estejam à espera”.

Reconhecendo que estas Comissões de Trabalhadores “não resolvem tudo, [pois] sabemos que há muitos patrões que utilizam os esquemas mais inacreditáveis para prejudicar trabalhadores”, elas são importantes porque “uma democracia mais sólida é aquela onde os trabalhadores fazem valer os seus direitos”, concluiu Catarina.

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