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Insegurança alimentar grave duplicou em dois anos, alerta ONU

António Guterres alertou para a crise alimentar global, apontando que o número de pessoas em insegurança alimentar grave duplicou de 135 milhões para 276 milhões de pessoas no período pós-pandemia. E apontou cinco passos urgentes para resolver a crise a curto prazo.
Foto de Olivier Barrière/IRD/Flickr

"Os números são assustadores e estão inextricavelmente ligados a conflitos, como causa e efeito. Se não alimentarmos as pessoas, alimentaremos o conflito", apontou António Guterres.

O secretário-geral da ONU fez o alerta numa reunião convocada pelos Estados Unidos sobre a segurança aimentar global e salientou que a guerra na Ucrânia está a amplificar fatores determinantes como mudanças climáticas, a covid-19 e a desigualdade, que acabam por ter impacto no nível de fome no mundo.

Guterres denunciou que esta espiral de problemas tem um impacto devastador nas sociedades, sobre as crianças que podem sofrer os efeitos da malnutrição ao longo da vida, sobre as "meninas que serão retiradas das escolas e forçadas a trabalhar ou a casar-se" e sobre "famílias que terão de embarcar em perigosas viagens continentais, apenas para sobreviver".

António Guterres sublinhou ainda que é possível acabar com a fome e que "há comida suficiente no mundo agora para todos, se agirmos juntos". "A menos que resolvamos este problema hoje, enfrentamos o espetro da escassez global de alimentos nos próximos meses", frisou.

Cinco passos urgentes

O secretário-geral da ONU apontou cinco passos urgentes para resolver a crise a curto prazo e evitar catástrofes de longo prazo.

Em primeiro lugar, apelou a uma redução urgente da pressão sobre os mercados, aumentando a oferta de comida, e pediu o fim das restrições às exportações, pelo que os excedentes devem ser deixados à disposição dos mais necessitados.

"Mas sejamos claros: não há solução eficaz para a crise alimentar sem reintegrar nos mercados mundiais a produção de alimentos da Ucrânia, bem como os alimentos e fertilizantes produzidos pela Rússia e pela Bielorrússia - apesar da guerra", realçou. Apelou ainda à Rússia a que permita a exportação segura de grãos armazenados nos portos ucranianos, revelando que tem estado em "contacto intenso" sobre esta questão com a Rússia, Ucrânia, Turquia, Estados Unidos, União Europeia e "outros países importantes", estando "esperançoso" em resultados.

Em segundo lugar, Guterres pediu que os sistemas de proteção social cubram todos os necessitados.

Em terceiro lugar, sublinhou a necessidade de financiamento, pois os "países em desenvolvimento devem ter acesso à liquidez para que possam fornecer proteção social a todos os cidadãos em necessidade". "As instituições financeiras internacionais precisam intervir com investimentos generosos para evitar uma crise global da dívida", defendeu.

Em quarto lugar, o secretário-geral da ONU defendeu o reforço, por parte dos Governos, da produção agrícola e de investimentos em sistemas alimentares que protegem os pequenos produtores de alimentos.

Em quinto lugar, Guterres apontou que "as operações humanitárias devem ser totalmente financiadas para reduzir e evitar a fome".

A concluir, o secretário-geral da ONU afirmou: "Estamos a monitorizar de perto as perspetivas globais de segurança alimentar e a usar os nossos poderes de convocação para pressionar por medidas imediatas. A crise alimentar não respeita fronteiras e nenhum país pode superá-la sozinho. A nossa única chance de tirar milhões de pessoas da fome é agirmos juntos, com urgência e solidariedade".

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