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Indonésia: Genocídio de 500 mil comunistas considerado crime contra a humanidade

A 30 de setembro de 1965 iniciou-se uma onda de repressão que durou um ano, durante o qual foram assassinados pelo menos meio milhão de indonésios por serem militantes ou simpatizantes do Partido Comunista. 50 anos depois, um Tribunal Popular Internacional classificou o acontecimento como um dos maiores genocídios do séc. XX e de crime contra a humanidade.
Sukarno e Fidel Castro em 1960, cinco anos antes do início do genocídio de militantes e simpatizantes comunistas na Indonésia. Foto de Wikimedia Commons.

Sukarno foi o primeiro presidente indonésio após a independência da Holanda. Nos primeiros tempos de independência, tentou garantir um equilíbrio entre o Exército, o Partido Comunista e os grupos islâmico. O Partido Comunista da Indonésia (PKI), embora não fizesse parte do governo, tinha muita influência e cerca de três milhões de militantes, sendo o segundo maior Partido Comunista do mundo.

Internamente, cresceram os confrontos entre os militantes do Partido Comunista e grupos islâmicos e nacionalistas e, na noite do dia 30 de setembro de 1965, um grupo militar intitulado "Movimento 30 de setembro", entrou nas casas de seis generais e assassinou-os. Suharto, então chefe do Exército, aproveitou o momento e acusou o grupo militar de ligação ao PKI, iniciando uma brutal perseguição contra todos os militantes e simpatizantes do partido. A 25 de julho de 1966, com Sukarno enfraquecido, Suharto tomou controle do país e a 12 de março de 1967 foi nomeado presidente, cargo que ocupou durante 31 anos, até 21 de maio de 1998.

O genocídio de pelo menos meio milhão de indonésios (outras estimativas chegam a um milhão de vítimas) caiu no esquecimento e na repressão, até que, em 2012, o norte americano Joshua Oppenheimer realizou um documentário intitulado "O Ato de Matar" (o trailer pode ser visto em baixo, com legendas em inglês), que de novo confrontou a comunidade internacional com o que se passou na Indonésia. No documentário, que foi candidato aos Óscares, os ex líderes dos esquadrões de morte foram convidados a reencenar o genocídio no estilo cinematográfico que quisessem, desde filmes de guerra em estilo de Hollywwood a musicais.

"Batíamos neles até que morressem e depois ficava uma mancha feia de sangue, então começamos a usar fios", explicou um deles, num clima de total impunidade. "É como se Hitler tivesse ganhado a guerra e Himmler fosse um herói nacional, salvador da pátria. Na Indonésia, os vencedores continuam a ter muito poder e toda a impunidade do mundo para continuar a perpetuar a sua versão dos fatos", afirmou Oppenheimer numa entrevista à BBC. 

O Tribunal Popular Internacional (TPI) que analisou a existência de crimes contra a humanidade na Indonésia em 1965 não tem competências jurídicas reais. Foi criado por organizações não governamentais, depois da estreia dos documentários de Joshua Oppenheimer. A primeira audiência aconteceu em novembro de 2015 e o veredito exige que o governo indonésio investigue o massacre e peça desculpas, além de declarar que Estados Unidos, Reino Unido e Austrália foram cúmplices, indiretamente, do massacre.

Os resultados do julgamento serão discutidos na Comissão de Direitos Humanos da ONU em abril de 2017. Joko Widodo, o atual presidente, prometeu nas eleições investigar o assunto, mas nada fez.

The Act of Killing - Official Trailer (HD)

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