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Indicadores de saúde são piores nas mulheres, revela estudo do INE

Um estudo publicado esta semana pelo Inquérito Nacional de Saúde do Instituto Nacional de Estatística, (INE) relativo a 2014,revela as as mulheres são mais afectadas por doenças como a depressão, a obesidade ou as alergias.
Foto de Ádria de Souza/ Flickr

O inquérito caracteriza as pessoas com mais de 15 anos residentes em Portugal e agrega tanto valores globais como resultados apurados na última década. O aumento da obesidade foi de todas as doenças a que teve um aumento mais expressivo tendo afetado principalmente a poulação com idades compreendidas compreendidas entre os 45 e os 74 anos. Este problema tem igualmente maior incidência entre as mulheres.

Os dados publicado agora pelo INE pretendem caracterizar as pessoas com mais de 15 anos e que vivem em Portugal. Para isso agregam-se indicadores sobre o estado de saúde, cuidados de saúde e determinantes As conclusões indicam que cerca de um terço das pessoas com mais de 15 anos apresentam dores lombares crónicas. Aliás, no ano passado, esta foi a “doença crónica referida com maior frequência pela população residente com 15 ou mais anos (32,9%), sendo também elevadas as proporções de pessoas que referiram ter hipertensão arterial (25,3%), dores cervicais ou outros problemas crónicos no pescoço e artrose (24,1% nos dois casos)”.

O trabalho, feito em parceria com o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, distingue as proporções destas doenças entre homens e mulheres e percebe-se que, em quase todas, é no sexo feminino que a taxa é mais elevada. Por exemplo, 39,7% das mulheres referiram dores lombares crónicas, contra 25,2% dos homens. A hipertensão arterial também é mais comum nas mulheres (28,5%) do que nos homens (21,6%).

“A análise dos resultados evidencia que, comparativamente aos homens, as mulheres são significativamente mais afectadas” pela esmagadora maioria das patologias, revela o inquérito sublinhando que tal acontece igualmente em relação às dores cervicais., problemas de pescoço, nas artroses, alergias, incontinência urinária, bronquites e doenças pulmonares, asma, problemas renais, doenças coronárias ou angina de peito

A diabetes é uma das excepções referidas neste estudo, atingindo 9,4% dos homens enquanto as mulheres ficam ligeiramente abaixo, nos 9,2%. No caso do acidente vascular cerebral o valor é o mesmo, independentemente do sexo (1,9%), e no enfarte as mulheres ficam abaixo dos homens (1,6% contra 1,9%), assim como na cirrose hepática (0,5% contra 0,8%).

O INE alerta no entanto para o facto de estes problemas não serem exclusivos das mulheres e têm registado um aumento na população em geral nos últimos dez anos: “A comparação dos resultados para as doenças crónicas recolhidas nos dois inquéritos (2005/2006 e 2014) demonstra um aumento da percentagem de população afectada por estas doenças, com destaque para o número de pessoas que referiram sofrer de problemas renais, de 1,8% para 4,6%”. Em linha com os valores de há dez anos estão alguns consumos, como o tabaco e o álcool, que continuam a ser práticas mais comuns nos homens.

Segundo os dados do INE, em 2014 mais de metade da população com mais de 18 anos tinha excesso de peso ou obesidade. O valor ficou-se nos 52,8%, quando há dez anos era de 50,9%. São sobretudo as mulheres que estão a pesar neste aumento, diz o inquérito. Em 2005 existiam 16% de mulheres com obesidade e 31,2% com excesso de peso. No ano passado os valores subiram para 17,5% e 31,6%. Nos homens, a taxa de obesidade subiu de 14,3% para 15,1%. Já o excesso de peso passou de 40,6% para 42%. Quanto a diferenças por idades, entre os 45 e os 74 anos encontram-se os dados mais preocupantes relacionados com a obesidade, enquanto o excesso de peso está muito concentrado entre os 65 e os 74 anos.

O inquérito dá ainda especial atenção à depressão tendo concluído que a doença afectava, no ano passado, 25,4% das pessoas com 15 ou mais anos. Em 16,4% dos casos, os sintomas foram descritos como ligeiros e em 5,8% como moderados. No entanto, 3,2% das pessoas disseram ter sintomas fortes ou mesmo muito fortes.

“Para estes sintomas era muito acentuada a diferença entre homens (16,0%) e mulheres (33,7%), particularmente nos de intensidade ligeira”, revela o estudo do INE, acrescentando, no entanto que “a intensidade de sintomas depressivos aumentava com a idade, sendo a população reformada a mais afectada pela depressão, qualquer que seja a intensidade considerada. No total, 36,5% da população reformada apresentava sintomas de depressão, face a 18,5% da população empregada.” Nos desempregados, os valores encontrados também são superiores aos da restante população com trabalho.

O INE avaliou, ainda, o consumo de medicamentos (com ou sem prescrição médica ) tendo concluído que “90% dos idosos consumiam fármacos receitados por um clínico”.

“Cerca de 56% da população com 15 ou mais anos consumiu medicamentos nas duas semanas anteriores à entrevista que foram prescritos por um/a médico/a, com proporções que aumentam de forma acentuada com a idade”, refere o INE, adiantando “que o consumo sem receita é mais comum nas camadas mais jovens da população. Uma vez mais, o consumo de medicamentos “é maior na população do sexo feminino: 62,7%, face a 48,6% no caso dos homens”.

Se tomarmos como comparação os últimos 10 anos regista-se uma quebra de pessoas com menos de 55 anos que recorrem a medicamentos, mas há um aumento do consumo de fármacos em pessoas acima dessa idade.

Quanto à vacina da gripe, quase metade dos idosos disseram que tinham tomado esta vacina no inverno anterior.

Este trabalho analisou também dados relativos à realização de exames. E conclui que mais de um terço das pessoas com mais de 50 anos já fez pelo menos uma colonoscopia, sendo o valor dos homens mais elevado. Também 85% das mulheres entre os 50 e os 60 anos disseram ter feito uma mamografia nos últimos dois anos. O valor subiu consideravelmente, já que em 2014 era de pouco mais de 50%.

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