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Indicadores da crise climática bateram recordes em 2021

A Organização Meteorológica Mundial lançou o seu relatório sobre o Estado Global do Clima em 2021 e destaca o impacto dos fenómenos extremos como as secas, ondas de calor e cheias.
Foto: UNDP Somalia/Flickr

A subida do nível global do mar atingiu no ano passado um recorde, atingindo os 10 centímetros acima do nível registado em 1993. O derretimento dos glaciares promete aumentar ainda mais esse nível médio, ameaçando zonas costeiras onde vivem centenas de milhões de pessoas e aumentandoos potenciais estragos causados por furacões e ciclones, avisa a Organização Meteorológica Mundial (OMM) no lançamento do relatório sobre o Estado Global do Clima em 2021.

"O clima está a mudar perante os nossos olhos. As emissões com efeito de estufa por ação humana irão aquecer o planeta por muitas gerações. Alguns glaciares atingiram o ponto de não retorno e isso terá repercussões a longo prazo num mundo onde 2 mil milhões de pessoas já sofrem com a escassez de água", alertou Petteri Taalas, o secretário-geral da organização, citado pelo Guardian.

A concentração de dióxido de carbono e metano na atmosfera é outro dos indicadores a bater um record no ano passado, com o aumento da temperatura média (1,1°C acima dos níveis pré-industriais) a aproximar-se preigosamente da meta de 1,5° acordada pelos países em Paris há sete anos. Os anos entre 2015 e 2021 foram os mais quentes desde que há registos.

Fenómenos meteorológicos extremos ameaçam décadas de avanços na luta contra a fome

As ondas de calor do ano passado na América do Norte e na zona do Mediterrâneo, as cheias mortíferas na província chinesa de Henan, a chuva a aparecer pela primeira vez no topo da calota de gelo da Gronelândia e o risco do leste africano atravessar a pior seca dos últimos 40 anos, com a época das chuvas ausente pela quarta vez consecutiva, são sinais de alarme evidentes e que vieram agravar a situação que já era de emergência no que diz respeito à segurança alimentar após a pandemia, ameaçando o resultado de décadas de relativo progresso nesta área.

Além da população deslocada devido aos efeitos da seca, a OMM destaca também a que teve de fugir de ciclones, furacões e cheias no ano passado, destacando-se aqui a China, com mais de 1,4 milhões de pessoas deslocadas, o Vietname com mais de 664 mil e as Filipinas com mais de 600 mil.

Para o secretário-geral da OMM, os países devem apostar nos sistemas de alerta para fenómenos meteorológicos extremos como medida prioritária de adaptação às alterações climáticas. Para resolver o problema de fundo, é urgente acelerar ao longo desta década a redução de emissões de forma a que os países possam cumprir pelo menos a meta menos ambiciosa do limite de aumento da temperatura a 2°C no fim do século.

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