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Incongruências do Estudo de Impacto Ambiental da mina em Calabor preocupam Movimento UIVO

O Movimento Cívico UIVO e o Bloco de Esquerda de Bragança reuniram sobre o impacto socioambiental do projeto de exploração mineira em Calabor, Espanha, numa área de Reserva da Biosfera a poucos quilómetro do Parque Natural do Montesinho. Artigo publicado em Interior do Avesso
O Movimento Cívico UIVO e o Bloco de Esquerda de Bragança reuniram sobre o impacto socioambiental do projeto de exploração mineira em Calabor, Espanha
O Movimento Cívico UIVO e o Bloco de Esquerda de Bragança reuniram sobre o impacto socioambiental do projeto de exploração mineira em Calabor, Espanha

O Interior do Avesso falou com Rogério Martins do Bloco de Bragança que explicou que uma das preocupações levantadas pelo Movimento Cívico UIVO – Por uma Reserva da Biosfera Meseta Ibérica livre de minas - é o facto de o Estudo de Impacto Ambiental do projeto de extração do Valtreixal “mais parecer um apanhado de outros estudos”. “Aparentemente não é muito rigoroso porque a exploração é para volfrâmio e estanho, e o Estudo de Impacto Ambiental, às duas por três, já falava de carvão e de outros minérios e, de repente, até já não se fala de uma mina mas de um parque eólico”.

Rui Loureiro do UIVO, com quem também falámos, apontou, de facto, essa como uma das questões que mais preocupa o movimento, explicando que desde logo é “pouco útil que um Estudo de Impacto Ambiental esteja em discussão pública no mês de agosto”, como aconteceu em Portugal.

Outro ponto que causa preocupação “é que o Estudo está cheio de incongruências e de erros”. Rui Loureiro sintetiza que “basicamente ficamos com a sensação que não foi um Estudo de Impacto Ambiental feito especificamente para este projeto”, nomeando outros exemplos: “aparecem espécies animais que não existem aqui, há coisas completamente incongruentes em matéria das próprias ações de mitigação dos impactos do projeto, há erros com números… o Estudo tem muitos, muitos erros, portanto essa é uma das questões que nos preocupa muito, porque se à partida o Estudo já está mal feito, então o que é que nos garante que este projeto de facto prevê controlar os riscos?”.

O impacto da mina, prevista numa área de Rede Natura em Calabor, Espanha, afetará também o Parque Natural do Montesinho, em Bragança. Em Portugal, as aldeias portuguesas de Rio de Onor, Aveleda e Varge seriam mais diretamente afetadas pelo projeto de extração mineira, mas através dos impactos que esta terá, nomeadamente, na bacia hidrográfica do Douro, através do rio Sabor, poderá afetar outras localidades menos próximas.

”Apesar da mina ser em Espanha, nós estamos a 5 quilómetros da mina e o impacto ambiental é o mesmo lá e cá. Aliás, é pior cá, porque as águas do sítio onde está projetada a mina escorrem para o lado de cá, para a bacia do Sabor, para a bacia do Douro”, explicou Rui Loureiro.

O ativista do UIVO alerta ainda que a mina afetaria toda a região da “Reserva da Biosfera Transfronteiriça da Meseta Ibérica, que é um conjunto de territórios, portugueses e espanhóis […], e que no fundo foi um projeto que estas regiões construíram em conjunto, foi uma candidatura à UNESCO, com base no Património Natural da região”.

Um outro impacto negativo abordado foi a nível de turismo. Num momento em que a procura tem crescido, o turismo nesta zona seria “completamente afetado”, por uma exploração mineira que interfere com fauna e flora locais e traz “poluição sonora, para já não falar da poluição de gases e poeiras”, explicou Rogério Martins.

Rui Loureiro contou como têm atuado também junto da atividade muito específica do turismo de ambiente, ao nível dos empresários da região, muito preocupados com este projeto, que poderá afetar fortemente um setor que tem crescido nos últimos anos por causa do património natural.

Foi ainda rebatido o argumento de que a exploração mineira poderia beneficiar o local onde se insere como uma fonte de emprego. Na verdade, conforme foi discutido na reunião, “a criação de emprego é residual”, consistindo em mão de obra especializada que teria que vir de fora, não beneficiando as populações locais.

O Uivo é um movimento cívico, apartidário, aberto a todos os cidadãos que se opõe à exploração de minas no território da Reserva da Biosfera Transfronteiriça Meseta Ibérica. “Foi criado em dezembro de 2020 na sequência das notícias que começaram a aparecer sobre um projeto de mina a 5 quilómetros da fronteira do Parque Natural de Montesinho, na zona este do Parque Natural de Montesinho”, contextualizou Rui Loureiro.

Este Movimento tem escrito aos ministérios e secretarias de estado envolvidos, a outras associações também em alerta sobre este projeto de extração mineira e aos diferentes grupos parlamentares. Também já reuniram com a Comissão de Ambiente da Assembleia da República.

Artigo publicado em Interior do Avesso

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