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Impasse na Catalunha, novas eleições em cima da mesa

Depois de a CUP recusar apoiar a reeleição de Artur Mas, e também ver recusada a sugestão alternativa de Oriol Junqueras, Presidente da ERC, o impasse mantém-se. Os catalães deverão voltar às urnas em Março para recompor o parlamento regional, dominado agora pela coligação independentista Juntos pelo Sim, e assim decidir quem presidirá ao governo regional autonómico.
No domingo, a CUP afirmou que o cenário de nova eleições pode ser evitado, caso a coligação Juntos pelo Sim aceite fazer aquilo que até agora recusou: deixe cair a recondução de Artur Mas, no poder desde 2010, e proponha outro nome para a presidência da Generalitat. Foto de Jordi Boixareu/Flickr.

Artur Mas deu nesta segunda-feira o último passo que faltava para tornar inevitável a repetição das eleições regionais na Catalunha, já em Março, ao anunciar que não desiste de se candidatar a um novo mandato à frente da Generalitat, hipótese rejeitada em definitivo pelo partido independentista e anti-capitalista, cujo apoio determinava a sua reeleição (a CUP detém dez assentos cruciais na actual legislatura). Esta terça-feira disse mesmo que, esgotando-se o prazo que acabará no domingo, convocará novas eleições na próxima segunda-feira, dia 11 de janeiro.

“Tenho vontade de enfrentar Madrid e as forças daqui que não nos facilitam a vida”, garantiu o presidente em exercício do governo regional, à entrada para uma reunião da cúpula do seu partido, a Convergência.

E Artur Mas insiste esperançoso na solução única da sua reeleição. Esta terça-feira disse, em declarações à imprensa espanhola, que vai esperar que o prazo se extinga no domingo, a menos que a CUP [Candidatura de Unidade Popular] mude de opinião e decida apoiar a sua investidura. A esperança de Mas é partilhada pela sua coligação, o Juntos pelo Sim, que também apelou à CUP para continuar as negociações, apesar dos seus já três 'Nãos' à reeleição de Mas. “Até domingo há tempo e eu estou disponível”, disse o atual presidente da Generalitat.

Este domingo, pela terceira vez, a CUP rejeitou apoiar a candidatura de Mas – uma decisão que não foi unânime e levou já nesta segunda-feira à demissão de Antonio Baños, o cabeça-de-lista da formação no Parlamento, apoiante da reeleição de Artur Mas. No entanto, a formação não fechou em definitivo a porta a uma solução, ao afirmar que a coligação Juntos pelo Sim – que uniu a Convergência à Esquerda Republicana (ERC) e ficou a dois votos da maioria absoluta – poderia apresentar uma alternativa até ao próximo domingo, dia em que termina o prazo legal para a formação do governo.

Ao mesmo tempo, a CUP propôs as suas alternativas: entre elas o presidente da ERC, Oriol Junqueras, partido mais próximo da CUP, ou mesmo a actual vice-presidente da Convergência, Neus Munté. “Parece-nos uma pessoa que não está identificada tão claramente com as políticas liberais” de Mas, disse nesta segunda-feira a deputada regional Anna Gabriel, numa entrevista à Rádio Catalunha.

Assim, o impasse mantém-se. O presidente da Generalitat ainda em funções precisava do apoio de pelo menos dois dos dez deputados da CUP, uma vez que nas eleições de Setembro, a sua aliança independentista falhou a maioria absoluta no parlamento catalão. O estatuto regional determina que se não houver acordo para a nomeação de um novo presidente, procede-se à dissolução automática do parlamento e a convocação de novas eleições autonómicas – que deverão ser marcadas para a primeira quinzena de Março.

"Nas eleições de 27 de Setembro o que se votava era a independência, não era Mas sim, ou Mas não"

No domingo, a CUP afirmou que o cenário de nova eleições pode ser evitado, caso a coligação Juntos pelo Sim aceite fazer aquilo que até agora recusou: deixe cair a recondução de Artur Mas, no poder desde 2010, e proponha outro nome para a presidência da Generalitat. Se isso acontecer, a CUP está disponível para viabilizar o novo governo regional sem voltar a consultar as suas estruturas.

A deputada da CUP Gabriela Serra explicou aos jornalistas que "dissemos que não a quem tínhamos que dizer não", lamentando os altos custos pessoais do complexo e demorado processo de debate e voto interno, em sucessivas assembleias locais e territoriais de apoiantes do partido (na derradeira consulta aos militantes, no passado sábado à noite, a recondução de Artur Mas foi rejeitada por uma margem mínima de seis votos; entre os membros do conselho político e do grupo de acção parlamentar, a diferença foi de quatro votos).

 "Obtivemos uma maioria absoluta para avançar no sentido da independência, e não um consenso em relação e este candidato"

Sergi Saladié, um dos deputados da CUP, lembrou que "nas eleições de 27 de Setembro o que se votava era a independência, não era Mas sim, ou Mas não".

Segundo a sua interpretação dos resultados dessa votação, "obtivemos uma maioria absoluta para avançar no sentido da independência, e não um consenso em relação e este candidato" e, por isso, explicou que a CUP não quer reduzir a crise à sua oposição a Artur Mas, e não quer que a sua decisão possa ser dramatizada como o entrave na engrenagem do processo independentista. "Quem disse que não seria um obstáculo à independência foi o próprio Artur Mas", recordou Saladié.

Entretanto, o cabeça-de-lista da formação anti-capitalista apresentou a sua demissão do cargo de deputado, deixando claro na sua carta de despedida que o motivo é o 'não' à reeleição de Artur Mas e que se sente “incapaz” de levar adiante a opção tomada maioritariamente. A atual posição de Antonio Baños é paradoxal, considerando que antes, durante e depois das eleições sempre foi uma voz contra o apoio da CUP a uma investidura de Mas.

"Alcançada a maioria independentista no 27-S, entendi que o mandato explícito era para começar, sem demora ou hesitação, a ruptura com o Estado. Por esta razão, eu estava entre os partidários favoráveis à proposta de acordo do Juntos pelo Sim e votar pela investidura do seu candidato”, justifica na sua carta de demissão, citada pelo El País.

A CUP disse em comunicado que aceita com “respeito” a demissão de Baños, “lamenta” a divisão interna e assegura que se tentaram ouvir todas as vozes antes da decisão sobre Artur Mas, “uma das decisão mais difíceis” que a formação alguma vez teve de tomar. E reafirma que o seu compromisso firme é com a independência da Catalunha e com a sua transformação social, feminista e ecológica.

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