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Immanuel Wallerstein (1930-2019)

O sociólogo norte-americano destacou-se no estudo e crítica do sistema capitalista mundial, tornando-se uma das referências teóricas dos movimentos contra a globalização e as desigualdades.
Immanuel Wallerstein
Immanuel Wallerstein. Foto Brennan Cavanaugh/Flickr

Nascido em Nova Iorque em 1930, Immanuel Wallerstein faleceu este sábado. Dedicou a sua vida ao estudo da sociologia e história, tendo passado por várias universidades, de Oxford a Paris, Amesterdão, Hong Kong, Bruxelas e México. Desde 2000, era investigador sénior na Universidade de Yale. Numa primeira fase, a principal área de interesse de Wallerstein passou pelos estudos sobre as sociedades de países africanos e da Índia, tornando-se uma referência dos estudos pós-coloniais até aos anos 1970.

Mais tarde, assumiu a direção do Centro Fernand Braudel para o Estudo das Economias, Sistemas Históricos e Civilização na Universidade novaiorquina de Binghamton, onde lecionou até 1999. Ali desenvolveu o trabalho que viria a gerar o seu maior contributo teórico, a análise do sistema-mundo, que procurava transcender as fronteiras entre as áreas de conhecimento acerca da economia, política e sociedade. Apoiado na herança do pensamento marxista, da teoria da dependência e da escola dos Annales, Wallerstein definia o sistema-mundo como um conjunto de mecanismos que redistribuem a mais-valia da periferia para o centro, com o mercado a servir de meio de exploração dos países industrializados sobre os restantes e o capitalismo a servir de instrumento para empobrecer a maior parte da população mundial.

Para além do trabalho académico que lhe valeu ser nomeado como referência na área da sociologia e ciência política, Immanuel Wallerstein empenhou-se politicamente em várias causas, da luta contra a guerra no Iraque à solidariedade com o povo curdo ou com os Zapatistas no México. Foi também um dos entusiastas do Fórum Social Mundial no início do século XXI. Mas o início desse ativismo teve lugar no ano emblemático de 1968, quando já dava aulas na Universidade de Columbia e assistiu à revolta estudantil. Na sua crónica de despedida, publicada a 1 de julho deste ano, Wallerstein disse acreditar que a luta definitiva é a luta de classes, “usando a classe num sentido muito largo“, e que os que viverem no futuro devem fazê-la para que aconteça de facto uma mudança. “Acho que há uma hipótese de 50-50 de conseguirmos alcançar essa mudança transformadora, mas apenas 50-50”, concluiu.

“Com Wallerstein aprendemos a ver o mundo como unidade do capitalismo e a relação centro-periferia como determinante do lugar dos Estados nessa unidade. A morte de Wallerstein é uma perda imensa para quem não desiste de ler as relações internacionais com a crítica da economia política”, afirmou este o deputado bloquista José Manuel Pureza.

Immanuel Wallerstein foi também colaborador do esquerda.net ao longo de vários anos em que aqui publicámos os seus comentários sobre política internacional. Deixamos aqui as nossas condolências à família e amigos de uma das grandes figuras do pensamento crítico das últimas décadas.

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