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Imigrantes mobilizam-se para a manifestação de dia 13

As manifestações levadas a cabo pelos imigrantes com vista à alteração da lei de imigração levou a alguns “avanços positivos”, mas a “pressão” tem de continuar porque a “dignidade” das pessoas não pode estar em causa.
Foto Solidariedade Imigrante
Foto Solidariedade Imigrante

É desta forma forma que o Presidente da Associação Solidariedade Imigrante, Timóteo Macedo, qualifica as iniciativas protagonizadas por centenas de imigrantes junto às instalações do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), em Lisboa, e a concentração do passado dia 27 em frente à Assembleia da República

Aquele responsável deixa, no entanto,o alerta que há ainda caminho a percorrer pelo que é necessário que a manifestação agendada para o próximo dia 13, no Martim Moniz, em Lisboa, possa vir a constituir um marco num processo - a lei de imigração – que precisa de ser alterado para que todos aqueles que vivem em Portugal tenham direitos e sejam tratados como seres humanos que através do seu trabalho estão a contribuir para a riqueza do país.

“Todas estas ações de lutas podem ser qualificadas como excecionais não só porque tiveram um elevado número de participantes mas também porque chamaram de forma inequívoca a atenção da sociedade portuguesa para uma série de problemas com que se debatem os imigrantes em Portugal e que muitas vezes são desconhecidos da opinião pública porque a sua projeção mediática é mínima ou mesmo nula”, refere Timóteo Macedo, acrescentando que “ fica demonstrado de que é possível e necessário trabalhar em rede para ir ao encontro dos problemas concretos das pessoas”.

“É isso que continuaremos a fazer porque diariamente somos confrontados com verdadeiros dramas humanos uma vez que há pessoas que acabam enredadas num novelo de burocracias de tal forma apertado que mais não faz do que desmoronar vidas que começaram a  ser reconstruídas em Portugal”, sublinha.

É nesta situação em que se encontra uma cidadã angolana de 44 anos que reside há quatro anos em Portugal e que por não ter tido a possibilidade de continuar a estudar não conseguiu que as autoridades lhe renovassem o visto de residência.

“Solicitei a renovação da autorização em Janeiro deste ano mas como ela me foi concedida enquanto estudante e agora não posso prosseguir os estudos estou numa situação que me preocupa e que inclusivamente colocou os meus três filhos na mesma situação.

Esta cidadã que pediu o anonimato, afirma ainda que já foi maltratada pelos serviços de imigração e espera agora o mês de março de 2017, altura em que voltará novamente ao SEF.

Até lá continuará a trabalhar como empregada doméstica alimentado a esperança de que nada de mau aconteça porque o sistema é perverso e não responde atempadamente  às solicitações dos imigrantes.

“Trabalho em Portugal e estou numa situação de ilegalidade, afirma, acrescentando que "tal não faz sentido".

Esta cidadã afirma que estará presente na manifestação do próximo dia 13, porque é urgente resolver  os problemas com que são confrontados os imigrantes em Portugal.

Uma luta que é de todos”

Timóteo Macedo afirma que já há 32 associações e organizações que apoiam a manifestação mas ressalva que o trabalho não cessa porque é ainda necessário fazer chegar a informação do evento aos bairros onde residem muitos imigrantes, especialmente vindos de África e do Brasil porquanto estamos perante uma luta que "é de todos nós".

E sublinha que "Portugal precisa de mais imigrantes para colmatar a falta de mão de obra sobretudo nos setores da restauração, hotelaria, construção civil, trabalho domiciliário e agricultura".

Para o Presidente da Associação Solidariedade Imigrante, o país tem de deixar de estar na "cauda das políticas de recetividade aos imigrantes" porque só desta forma "retomará os caminhos de recuperação da economia e consequentemente do desenvolvimento".

"A vida das pessoas é que conta"

Pede para não ser identificada antes de dizer que chegou a Portugal há 16 meses à procura de trabalho. Tem 37 anos e está empregada num restaurante em Lisboa e espera ainda a chamada do SEF para iniciar o seu processo de regularização.

Estranha a demora embora conheça situações idênticas à sua e até piores.

Limita-se por isso a encolher os ombros quando lhe é perguntado quando é que pensa ser chamada. Está sozinha em Portugal e apesar de ainda não ter a certeza se pode comparecer na manifestação afirma que ela faz todo o sentido porque a justiça não pode ficar perdida no tempo e nas opções dos governantes.

“A vida da pessoas é que conta”, afirma antes de pedir para não ser identificada.

Por seu turno, Abdullah Al Faruque veio para a Portugal há um ano e três meses e tem entre mãos um problema complicado para resolver.

Entrou no país de forma ilegal e este facto está a criar-lhe muitas dificuldades na resolução do seu problema.

Tem 33 anos, trabalha num restaurante e diz ter dificuldades em responder da forma que é pretendida às razões que o levaram a entrar desta forma em Portugal.

“Vim para trabalhar e é isso que estou a fazer. Procuro uma vida melhor, é essa a intenção da maioria das pessoas que deixam os seus países de origem. Não sei o que possa dizer mais".

Natural do Bangladesh afirma convicto que marcará presença na manifestação de 13 de novembro e espera que esta dê um contributo significativo para a resolução dos problemas que afetam milhares de imigrantes a residir em Portugal.

 

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