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Hungria: Viktor Orbán obtém terceiro mandato consecutivo

O partido do primeiro-ministro reúne 49% dos votos, alcançando uma maioria de dois terços. O partido de extrema-direita Jobbik surge em segundo, com 19,6%. Já a coligação encabeçada pelo Partido Socialista não ultrapassa os 12,4%. Notícia atualizada às 12h05.
Foto de ZSOLT SZIGETVARY, Epa/Lusa.

O Fidesz - União Cívica Húngara, partido da direita populista do primeiro-ministro Viktor Orbán, que concorreu conjuntamente com o KDNP (Partido Popular Democrata Cristão), reúne 49% dos votos, conseguindo 133 dos 199 mandatos. A maioria de dois terços permite que ao partido alterar a Constituição.

Em segundo lugar surge o Jobbik – Movimento por uma Hungria Melhor, de extrema-direita, com 19,6% dos votos, alcançando 26 mandatos, mais dois do que em 2014. O líder do Jobbik, Gabor Vona, assumiu que o objetivo do seu partido, “de ganhar as eleições e forçar uma mudança no governo, não foi alcançado", pelo que apresentou a sua demissão.

Também Gyula Molnár, o líder do Partido Socialista Húngaro (MSZP), que, de acordo como Europe Elects, regista o pior resultado desde 1990, anunciou o seu afastamento. A coligação encabeçada pelo MSZP não ultrapassa os 12,4%. Perde nove mandatos, ficando com 20 mandatos.

O Partido Verde da Hungria (LPM - A Política Pode Ser Diferente), de Bernadett Szél, obtém 7% (8 mandatos) e a Coligação Democrática (DK), do ex-primeiro-ministro Ferenc Gyurcsany, reúne 5,6% dos votos (9 mandatos).

Abaixo da fasquia dos 5% surge o liberal Momentum Movement, de András Fekete-Győr, com 2,9% dos votos, o Cão com Duas Caudas (MKKP), que, com 1,7% dos votos, torna-se no partido satírico com o resultado em eleições nacionais mais forte da história da União Europeia, o Juntos (Együtt) com 0,6% dos votos, o MNOÖ (minoria germânica da Hungria), com 0,5% e o MM-LEFT, com 0,3%.

Propaganda xenófoba e anti-imigração 

Durante toda a campanha, Viktor Orbán focou-se num discurso anti-imigração e elegeu como principal alvo o bilionário George Soros, que financia várias ONG pró-democracia e a mais prestigiada universidade húngara, ameaçada de encerramento pelo governo. Segundo Orbán, Soros é o autor de um plano oculto para destruir o seu país, reforçando os poderes da UE de forma a obrigar a Hungria a aceitar milhões de imigrantes.

Num comício na passada semana, o primeiro-ministro voltou a alertar para o perigo da imigração, sobretudo de jovens muçulmanos, que afirma atentar contra a cultura de “matriz cristã” húngara. Bruxelas “pretende diluir a população europeia e substituí-la, afastar a nossa cultura, a nossa forma de vida e tudo o que separa e distingue os europeus dos outros povos”, frisou o primeiro-ministro.

A vitória do Fidesz, que é membro do Partido Popular Europeu, ao qual pertencem também PSD e CDS, já mereceu a congratulação de vários líderes da extrema-direita europeia, entre os quais o holandês Geert Wilders e a francesa Marine de Pen.

A "reversão de valores e a imigração em massa promovidas pela UE foram novamente rejeitadas. Os nacionalistas poderão ser maioritários nas próximas eleições europeias em 2019", escreve Le Pen.

 

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