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Hungria: referendo sobre refugiados não é válido

O referendo realizado este domingo na Hungria sobre o sistema de quotas de redistribuição de refugiados na União Europeia (UE) não é válido porque a participação de eleitores ficou abaixo dos 50%.Viktor Órban ignora resultados e pediu uma emenda à constituição para "refletir a vontade do povo".
Foto de Újvári Sándor EPA/Lusa

O ex-primeiro ministro socialista e atual líder da Coligação Democrática, Ferenc Gyurcsány afirmou que "Orbán falhou, e nós ganhámos. "

Entretanto, o responsável da Comissão Nacional de Eleições, Andras Pulai, disse à Agência France Press (AFP) que a participação não atingirá a linha limite dos 50% de votos expressos, necessária para que o referendo tenha força de lei.

De acordo com a comissão votaram 43,23% dos eleitores, quando estavam apurados mais de 90% dos votos.

Órban ignora resultados

Para Viktor Orbán, cujo extremismo de direita o tem levado a adotar políticas de grande violência contra os migrantes e os refugiados afirmou que os resultados são “ótimos”, tendo acrescentado que "mais pessoas votaram não às quotas do que as que votaram sim no referendo sobre a entrada na União Europeia em 2003".

"Vamos estar bem armados em Bruxelas", sublinhou.

O primeiro-ministro húngaro já pediu ao Parlamento de Budapeste, onde tem maioria absoluta, que faça uma emenda à Constituição, que foi totalmente reescrita logo que chegou ao poder, em 2010, para refletir a vontade do povo, apesar de o referendo não ter poder legal.

A campanha levada a cabo pelo governo, foi considerada pela Amnistia Internacional (AI) como “tóxica” porque se baseou em mensagens alertando para “o perigo” que representam “milhões de refugiados” desejosos de ir para a Hungria tendo ainda associado de uma forma direta os refugiados e o terrorismo islâmico.

Refira-se que até ao momento, a Hungria não apresentou qualquer plano para acolher refugiados e considera-se “afastada” de todas as obrigações nesse sentido e em 2015, durante o auge da crise de refugiados a Hungria fechou as fronteiras com a Sérvia e Croácia.

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