You are here

Hungria planeia deter qualquer refugiado ou exilado em "abrigos" de processamento

O primeiro-ministro húngaro planeia deter qualquer refugiado ou exilado em "abrigos" de processamento por tempo indeterminado. O plano não foi recusado pelas autoridades europeias.
 Viktor Orban. Foto PEE/Flickr
Viktor Orban. Foto PEE/Flickr

A Hungria apresentou uma proposta à União Europeia para deter automaticamente qualquer refugiado durante todo o período de abrigo previsto no requerimento de asilo.

Segundo o porta-voz do governo húngaro, Zoltán Kovács, a eleição de Donald Trump contribuiu para "uma alteração de atitudes na União Europeia" que sustentam o plano do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, e revelou que a cimeira organizada em Malta na semana passada correspondeu a um ponto de mudança nas políticas para o controlo de imigração no mediterrâneo.

Em concreto, Zoltán afirmou que qualquer refugiado que requeira asilo numa rota que atravesse a Hungria, será colocado em "abrigos" durante todo o período previsto no requerimento, apesar de serem livres para voltar para o seu país de origem a qualquer momento.

"Nenhum migrante - nem aqueles que já tenham feito o requerimento de pedido de asilo - será capaz de se mover livremente até que haja uma decisão legal sobre a sua elegibilidade para asilo plítico, estatuto de refugiado ou qualquer outra coisa, de forma a que não se possam mover livremente no país."

As previsões do governo húngaro apontam para vários meses de processo para cada pedido de asilo, que serão analisados individualmente e não em grupo. Não é claro quantos refugiados seriam colocados nos campos, ou sequer se a União Europeia irá aprovar o plano húngaro.

Kovács afirmou que está à espera de alguma reação de Bruxelas, mas insistiu que os critérios atuais estavam a ser abusados sistematicamente.

Esta política xenófoba viola qualquer princípio de direitos humanos e reinstitucionaliza lentamente os campos em solo europeu. As condições existentes nos campos de refugiados foram severamente criticadas por grupos como a Amnistia Internacional, mas Kovács responde que "os abrigos irão ao encontro de todos os critérios europeus".

A Hungria ergueu já muros na fronteira com a Sérvia e planeia contratar mais seis a oito mil seguranças fronteiriços "para apreender aqueles que violam o muro".

Termos relacionados Internacional
(...)