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Hungria: Governo segrega crianças ciganas

O executivo húngaro segrega crianças ciganas justificando a sua atitude com as “necessidades especiais” dos alunos desta comunidade.
Foto de Tomás Netocný
Foto de Tomás Netocný

Estima-se que existam 400 escolas segregadas na Hungria, ou seja, centros escolares frequentados apenas por crianças ciganas, situadas maioritariamente no extremo leste do país, já perto da Ucrânia, a região mais pobre e subdesenvolvida do país.

Viktor Orbán que lidera um governo de extrema-direita com políticas racistas e xenófobas sobretudo em relação aos refugiados defende a segregação dos alunos ciganos, afirmando que “as crianças de etnia romani precisam de um tratamento especial e programas escolares próprios”.

O responsável pelo programa de húngaro da Fundação de Educação Romani, Nevsija Durmish disse à agência espanhola EFE que a segregação pode manifestar-se de várias formas.

Justiça dá cobertura à segregação

"Desde a colocação desproporcionada de alunos ciganos em escolas especiais para crianças deficientes, passando por escolas destinadas apenas a ciganos, até à separação de turmas ciganos em escolas normais", explicou Nevsija Durmish.

Uma das zonas onde isso acontece é no bairro Huszár de Nyíregyháza, uma espécie de "gueto cigano" no Leste da Hungria, onde uma igreja cristã ortodoxa gere uma escola especial para crianças romani.

Independentemente da igualdade de direitos à luz da lei, muitas crianças ciganas são impedidos de se inscrever na escola pública do centro da cidade, sendo encaminhados para as escolas especiais, sob o argumento de que “não há vagas”.

Zsanett Lakatos, uma dona de casa que vive com o marido e três filhas (de sete, oito e 12 anos) no bairro Huszár de Nyíregyháza, disse à EFE que teve de ameaçar com um processo judicial para que a escola regular aceitasse as inscrições das suas crianças.

Refira-se que as mais altas instâncias da Justiça húngara chegaram a aceitar, em decisões, a segregação de crianças ciganas nas escolas.

Em 2015, o Supremo Tribunal húngaro decidiu que "em casos justificados" é legal separar os alunos.

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