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Hospitais em rutura com esperas de 12h nas urgências

Vários hospitais de todo o país estão à beira da rutura, lidando com dificuldades na resposta, seja porque há falta de recursos humanos ou camas para internar doentes. Évora, Faro ou Abrantes são alguns dos que estão com mais atraso na resposta. Secretário de Estado pede aos utentes que evitem urgências, alguns centros de saúde têm horário alargado.
Foto de Paulete Matos.

Segundo avança o Diário de Notícias, na sua edição desta terça-feira, o tempo de espera nas urgências de vários hospitais do país atinge já as 12 horas, com unidades à beira da rutura. Évora, Faro ou Abrantes são alguns dos que estão com mais atraso na resposta. Além disto, os serviços de internamento estão também atingir o máximo da taxa de ocupação. Por esta razão, várias unidades de saúde estão a enviar doentes para aquelas que têm menos problemas, dando seguimento a instruções do Ministério da Saúde, como é o caso do Amadora-Sintra ou do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, que ainda esta segunda-feira enviaram doentes para o Hospital de Santa Maria.

O pico da gripe ainda não chegou – calcula-se que ocorra em fevereiro - mas os serviços já estão a lidar com diferentes dificuldades na resposta. Segundo o DN, há falta de recursos humanos, faltam camas para internar doentes, além de haver mais casos sociais e muitos casos de problemas respiratórios.

Esta segunda-feira, só a triagem em Viseu demorava uma hora e em Faro, os doentes verdes esperavam cerca de sete horas. Em Évora, os doentes menos urgentes esperavam 12 horas.

Segundo relata o jornal, esta segunda-feira, a triagem em Viseu demorava uma hora e em Faro "os doentes verdes esperavam cerca de sete horas, está mesmo muito complicado", disse um profissional. Em Évora, fonte do gabinete de comunicação citado pelo DN, admitiu que "tem havido capacidade de internamento, no entanto, a afluência tem sido grande, o que se repercute nos tempos de espera". Segundo um administrativo do mesmo hospital, "a urgência está muitíssimo complicada; os doentes azuis [menos urgentes] têm de esperar doze horas".

Quanto à área metropolitana de Lisboa, há registo de constrangimentos no Garcia de Orta, sem problemas no internamento mas com quatro horas de espera para os casos menos urgentes, diz o DN. No Centro Hospitalar Barreiro, segundo um médico, havia "seis horas de espera para os doentes menos urgentes", ainda assim metade do tempo de há duas semanas. "Havia 40 doentes em banco à tarde e já depois de um conjunto de medidas tomadas para aliviar os serviços, como a abertura de mais 18 camas”, explicou ainda.

Uma delas foi a contratação de médicos a 42 euros à hora: "Autorizada pela tutela; há médicos pagos por esse valor, alguns dos quais são internos, o que é lamentável porque os clínicos da unidade recebem cerca de 20", refere. O DN diz que contactou o Centro Hospitalar Barreiro, mas não obteve resposta.

Um outro profissional denunciou ao DN que os tempos de espera estavam a disparar no Centro Hospitalar do Médio Tejo, que inclui os hospitais de Tomar, Abrantes e Torres Novas. Aí, os doentes pouco urgentes (verdes) já tinham de esperar 5h30 para serem atendidos e os urgentes 3h30. Porém, a falta de resposta agrava-se também no internamento: mesmo depois de acionados os planos de contingência que preveem a abertura de mais camas, esta segunda-feira permaneciam dezenas de doentes na zona de triagem e de internamento, 52 dos quais internados. A maioria não tinha vaga para internamento, os outros aguardavam uma decisão. Alguns doentes "chegam a esperar 24 horas sem ser reavaliados. Não se consegue chegar a todo o lado", disse o profissional citado pelo mesmo jornal.

Na região de Lisboa, os doentes distribuem-se pelos hospitais, conforme as vagas. Fonte do Ministério da Saúde referiu que foi dada a indicação aos hospitais para que colaborassem de forma a não haver ruturas, seja em internamentos ou nos serviços de observação. “Quem tem maior capacidade deve receber doentes de outros mais lotados”, foi a ordem dada.

Hospitais no limite pagam até mil euros a médicos por urgência

Logo nos primeiros dias do ano, soube-se que há hospitais que estão a tentar contratar médicos de família e a aumentar os pagamentos à hora, que chegam a mil euros por turno, para conseguir preencher ou alargar as escalas de urgência. O Centro Hospitalar do Barreiro/Montijo, por exemplo, que já teve mais de dez horas de espera na urgência, decidiu aumentar o valor para segunda-feira, diz 4, havendo empresas a oferecer 42 euros à hora. Em Coimbra e em Lisboa, há hospitais a tentar contratar médicos de família, que há anos estão dispensados deste serviço. O pagamento chega a ser o triplo do habitual, indica o DN.

Há dois dias, o secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, admitiu que alguns hospitais "estão a atingir os máximos da sua capacidade de resposta", e renovou os apelos para a população não se dirigir aos serviços de urgência. Ainda não estamos no pico da gripe, mas para dar resposta à procura dos serviços de saúde, as unidades têm várias medidas previstas, sendo que o recurso às empresas de prestação de serviços continua a ser uma delas.

O Plano de Contingência para a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) prevê o alargamento previsto dos horários dos centros de saúde na região. Os horários dos centros de saúde estarão disponíveis nos sites das respetivas Administrações Regionais de Saúde (ARS) e poderão alterar-se, no sentido do seu alargamento, consoante a avaliação do ponto de rutura nas urgências hospitalares, a ser controlada pela tutela.

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