“Ninguém quer que Hong Kong seja um refúgio para fugitivos”, afirmou a líder do governo do território em resposta aos apelos para abandonar a lei que abre caminho às extradições para a China.
Os protestos deste domingo em Hong Kong tiveram uma dimensão inédita, com os organizadores a apontarem a participação de mais de um milhão de pessoas, ou seja, o dobro dos manifestantes nas marchas pela democracia em 2003.
Os manifestantes temem que lei sirva de instrumento para a China perseguir e capturar os seus opositores políticos no território de Hong Kong, marcando assim mais uma etapa no debilitar do estatuto de autonomia e da independência do sistema judicial daquela região em relação à China.
Carrie Lam afirmou entender as preocupações da população e prometeu introduzir mais transparência na prestação de contas ao parlamento acerca da implementação desta lei. A chefe de governo recusou um cenário de demissão, apesar de ter prometido na campanha eleitoral de 2017 que deixaria o cargo se essa fosse a vontade manifestada pela opinião pública. Após ter assistido ao maior protesto das últimas décadas, Lam diz que é necessário um governo estável em tempos de incerteza económica. A proposta de lei regressa ao debate parlamentar esta quarta-feira e estão previstos mais protestos para esse dia.