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"Hoje, a UE é incapaz de responder à crise e é sinónimo de crise"

Catarina Martins interveio numa sessão internacional na Holanda para assinalar os 25 anos do Tratado de Maastrich.
Catarina Martins
Catarina Martins, foto de Paulete Matos.

Na mesma sala onde, há 25 anos, o tratado de Maastricht foi assinado, reuniu-se este sábado a esquerda europeia para debater uma alternativa à União Europeia e ao euro. Catarina Martins foi uma das convidadas internacionais para discursar no encontro organizado pelo Partido Socialista (SP, sigla em neerlandês), atualmente o terceiro maior partido do país e que, tal como o Bloco, pertence ao grupo parlamentar europeu do GUE/NGL.

"Depois de anos em que a União Europeia aparecia como promessa de paz, coesão social, desenvolvimento, hoje aparece aos povos da Europa como uma traição. A regra da União Europeia tem sido destruir a Europa", afirmou Catarina.

"A retirada de soberania aos Estados, em processos de integração que não são mais do que de subordinação dos Estados ao poder económico", prosseguiu a coordenadora do Bloco, exemplificando com o Tratado de Maastrich, que lançou as bases da moeda única, e com o Tratado de Lisboa ou o Tratado Orçamental.

"Hoje a União Europeia é incapaz de responder à crise e é sinónimo de crise: desemprego, estagnação económica, Estado Social em desagregação, ausência de resposta ao desafio ambiental, sistema financeiro em sucessivos colapsos, povos do sul esmagados com o peso da dívida, negação dos mais básicos direitos humanos a quem procura refúgio da guerra e da fome", acusou Catarina Martins.

"Crescem ódios, muros, xenofobia. A desagregação da União Europeia não é um perigo longínquo", prosseguiu. A dirigente bloquista referiu, como exemplos de perigos para a União Europeia o Brexit, o crescimento da extrema-direita e o referendo em Itália que irá decorrer este domingo. "Desagregação e divergência é o que estamos a viver e a esquerda tem de responder com alternativa". 

"A resposta à crise em que a União Europeia se tornou exige a recuperação de mecanismos de soberania democrática, popular, em cada Estado. Para que outra Europa se possa construir, de solidariedades e cooperação", afirmou. 

"O cosmopolitismo europeu, a solidariedade internacional, são incompatíveis com a subordinação de uns Estados a outros, ou da democracia à finança, e só se defendem nas lutas pela justiça social, económica, ambiental", disse Catarina, que concluiu afirmando que "a Europa é maior que a União Europeia e defende-se nas lutas pela soberania popular".

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