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“Há um tratamento discricionário e arbitrário contra o nosso país”

Catarina Martins considera que o processo de sanções é uma chantagem que está a ser feita para pressionar o próximo Orçamento do Estado e nesse sentido considerou que Portugal se deve bater pelo encerramento das mesmas.
Foto de Paulete Matos

Em entrevista ao programa 21º Hora da TVI 24, a coordenadora do Bloco afirmou que “antes de começarmos a discutir se as sanções devem ser ou não simbólicas, não devemos desistir da posição de princípio de que são ilegítimas e devem ser recusadas”.

Em resposta aos jornalistas, Catarina Martins lembrou que Portugal tem um prazo de dez dias para apresentar a sua posição em Bruxelas, e considerou que “o governo português está a fazer o que deve nesta altura”, ainda que o Bloco mantenha “divergências com o Partido Socialista na forma como encara as instituições europeias”.

De acordo com a dirigente bloquista, é necessário ser “muito claro numa contestação dentro das regras europeias a este processo específico”, o que significa "resistir à chantagem que está a ser feita”.

“Há um tratamento discricionário e arbitrário contra o nosso país” por parte da Comissão Europeia, e o governo deve "exigir o encerramento do processo de sanções”, referiu.

Ao serviço da finança internacional

“A Comissão Europeia reconhece que o défice este ano vai ficar abaixo de 3% e está a pedir medidas para corrigir o que aconteceu em 2015, quando este ano não é preciso correção nenhuma. Isto é chantagem”, sublinhou.

A dirigente bloquista disse ainda que “a Comissão Europeia quer que continuemos a vender os setores estratégicos da nossa economia aos grandes interesses financeiros internacionais”, tendo ainda acusado “a estrutura atual da União Europeia de estar para servir os interesses da finança internacional”.

No que diz respeito ao Orçamento do Estado para 2017, Catarina Martins afirmou que Bloco já está trabalhar nas suas propostas para o documento, que serão negociadas com o governo e deverão passar pela reversão do IRC.

“Como se sabe, o anterior governo desceu muito os impostos às empresas e aumentou muito os impostos sobre as pessoas. Para que se perceba, os impostos sobre as grandes empresas, porque as Pequenas e Médias Empresas (PME), têm uma carga fiscal tremenda sobre elas”, referiu.

Deixando a ideia de que poderão existir propostas de alterações fiscais em relação ao Orçamento para o próximo ano, Catarina Martins avançou que o Bloco tem “estado a identificar zonas em que consideramos que há muita injustiça, seja a fiscal, sejam as rendas da energia, seja o caso das PPP”, deixando assim antever que os bloquistas irão fazer propostas ao executivo.

Sobre a nomeação de Durão Barroso para presidente não executivo da Goldman Sachs International (GSI), Catarina Martins afirmou: "Julgo que Durão Barros está a ser premiado pelo Goldman Sachs pelo bom trabalho que fez ao serviço da finança e não seguramente ao serviço das pessoas”, tendo acrescentado ser a única justificação para que o antigo presidente da Comissão Europeia, “que nunca foi empresário, nem nunca foi banqueiro esteja agora a presidir a um banco".

"Não é com certeza pela experiência que tem”, rematou.

Veja aqui a entrevista completa:

 

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