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Há mais acidentes de trabalho mortais na construção civil

Apesar da grande queda do setor, os acidentes de trabalho mortais na construção civil aumentaram nos últimos anos, revelou o presidente do sindicato da construção de Portugal, que defende a substituição do presidente da ACT.
Acidentes mortais de trabalho na construção civil em Portugal aumentaram de 34 para 43, entre 2013 e 2015 – Foto de Paulete Matos
Acidentes mortais de trabalho na construção civil em Portugal aumentaram de 34 para 43, entre 2013 e 2015 – Foto de Paulete Matos

O sindicato da construção de Portugal denunciou neste sábado que os acidentes mortais de trabalho na construção civil têm aumentado. Em 2013, registaram-se 34 acidentes mortais, em 2014 esse número subiu para 41 e, em 2015, já houve 43.

Segundo a Lusa, o presidente do sindicato, Albano Ribeiro, afirmou em conferência de imprensa, dada neste sábado, que o presidente da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT), Pedro Pimenta Braz, “deve ser substituído porque tem tido uma intervenção inadequada ao setor”.

Albano Ribeiro exemplificou as críticas ao presidente da ACT, com uma visita “a um estaleiro com 56 empresas e em que só inspeciona três”. Estas três “são as que integram o consórcio que ganhou a obra [de construção da barragem do Tua]. Depois, lá dentro, há mais de 50 que ele não inspeciona”, disse Albano Ribeiro.

“Este foi o único inspetor-geral do trabalho, desde que eu estou à frente deste sindicato, há muitos anos, que desde o início rejeitou colaborar com o sindicato. Os resultados estão à vista”, sublinhou o presidente do sindicato da construção de Portugal.

“Há um grande desinvestimento no setor da construção e ele [Pimenta Braz] não tem uma intervenção qualificada em empresas que não cumprem as regras de segurança. Deve, por isso, ser substituído. O Primeiro-Ministro deve tomar medidas e deve substituí-lo”, afirmou Albano Ribeiro.

O sindicalista disse ainda que “se não fossem as ações de sensibilização para as questões de saúde, segurança e higiene nos locais de trabalho realizadas pelo sindicato, teriam morrido muitos mais trabalhadores” e questionou: “O caricato é que o dinheiro para apoiar campanhas de sensibilização alusivas à higiene, saúde e segurança nos locais de trabalho resulta dos descontos dos trabalhadores e das entidades patronais, mas será que estas verbas foram desviadas para cumprir as metas do défice?”

O presidente do sindicato anunciou ainda que pediu uma audiência ao primeiro-ministro para lhe apresentar propostas para 2016. Essas propostas visam contribuir para “uma redução de 50% de acidentes mortais no setor comparativamente com o ano de 2015” e incluem o investimento na “renovação do parque escolar, o que iria permitir criar cerca de 10 mil postos de trabalho, a requalificação de infraestruturas importantes como via-férrea, rodovias, hospitais e a reabilitação urbana”.

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