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Há cada vez mais deslocados ambientais

A cada segundo do ano passado houve uma pessoa obrigada a deslocar-se no interior do seu país. 2020 foi assim um ano recorde neste aspeto. Vários conflitos estalaram ou continuaram. Mas são os deslocados ambientais que mais crescem.
Campo de deslocados na Síria. Foto: Unicef.
Campo de deslocados na Síria. Foto: Unicef.

Em 2020, havia 55 milhões de pessoas deslocadas no interior dos seus países. O cálculo é do Norwegian Refugee Council’s Internal Displacement Monitoring Centre (IDMC) no estudo Global Report on Internal Displacement 2021. 20 milhões foram crianças abaixo dos 15 anos, 2,6 milhões pessoas com mais de 65.

Esta organização coloca agora os desastres ambientais como a causa mais importante de deslocamentos internos, acima dos conflitos armados. As alterações climáticas aumentaram tempestades, cheias e outros fenómenos extremos. O número de deslocados ambientais foi um recorde de sempre: a temporada de ciclones foi intensa nas Américas, Sul e Leste da Ásia e Pacífico, e a época de chuvas foi prolongada no Médio Oriente, África sub-Sahariana.

Esta avaliação é importante porque permite completar os dados que são recolhidos sobre os refugiados. O número de deslocados internos é o dobro dos refugiados e tem vindo a crescer de forma consistente a cada ano que passa há mais de uma década.

40,5 milhões do total de deslocados diz respeito a novas deslocações, o que também é um recorde. Destes, 30 milhões foram resultado de inundações, tempestades ou incêndios.

Alexandra Bilak, diretora do Centro de Monotorização dos Deslocamentos Internos, salienta que “é principalmente preocupante que estes altos números tenham sido registados num contexto de pandemia da Covid-19 quando restrições de movimentos obstruíam a recolha de dados e menos pessoas procuravam os abrigos de emergência por medo de infeção”.

O IDMC sublinha igualmente a “escalada de violência e expansão de grupos extremistas” na Etiópia, Moçambique e Burkina Faso, para além de conflitos de longo prazo que continuam como na República Democrática do Congo, Síria e Afeganistão.

Jan Egeland, secretário-geral da Conselho Norueguês para os Refugiados, considera “chocante que alguém seja obrigado a fugir da sua casa no interior do seu próprio país a cada segundo do ano passado.”

A lista de deslocados devido a desastres é liderada pelo Afeganistão, com 1,1 milhões de pessoas, seguido pela Índia com 929.000 e pelo Paquistão com 806.000. Na de deslocados devido a conflitos e violência, é a Síria que lidera com 6,6 milhões, seguida pela República Democrática do Congo com 5,3 milhões e a Colômbia com 4,9 milhões. O Leste Asiático e Pacífico concentram 30,3% das novas deslocações. Segue-se a África sub-Sahariana com 27,4%.

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