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Gulbenkian mostra obras de artistas refugiados em Portugal

É inaugurada hoje uma exposição de artistas estrangeiros que se refugiram em Portugal devido à guerra e às suas posições antibelicistas.
Gulbenkian expõe obras de artistas refugiados. Foto da Fundação Calouste Gulbenkian.

A exposição, que ficará patente no Centro de Arte Moderna (CAM) até 22 de fevereiro, explora o contexto criativo em torno dos artistas Robert e Sónia Delaunay, englobando ainda obras de vários artistas portugueses.

Nesta mostra intitulada “ O Círculo Delaunay” é possível estabelecer a analogia com o tempo presente marcado também por conflitos militares que obrigam milhares de pessoas a deixar os seus países.

De acordo com Ana Vasconcelos, curadora da exposição, esta iniciativa resulta de uma investigação baseada na troca de correspondência entre os artistas - ela russa e ele francês - e que está na base de de várias revelações, como, por exemplo, a encomenda de uma pintura mural para ser feita em azulejo, na fachada do Asilo Fonseca, em Valença do Minho.

O casal Delaunay viveu exilado em Portugal, mais precisamente em Vila do Conde, entre junho de 1915 e janeiro de 1917, tendo privado com artistas como Amadeu de Souza-Cardoso, Almada Negreiros, Eduardo Viana, José Pacheco e Samuel Halper.

Para Ana Vasconcelos, Robert e Sónia terão sentido uma "forte atração" pelo surgimento da revista Orpheu e esse facto terá estado na origem da escolha de Portugal durante a 1ª Guerra Mundial.

A exposição reúne uma centena de obras do casal e também de artistas portugueses, sendo que cinquenta delas pertencem à coleção do CAM; as restantes foram cedidas por museus e coleções particulares oriundas de países com Espanha, França, Reino Unido e Estados Unidos.

Durante a sua permanência em Portugal, Sónia e Robert escolheram a região minhota para viver, sendo a sua pintura bastante influenciada pela cultura popular como, por exemplo, as cores dos lenços minhotos.

“Além disso, refere Ana Vasconcelos, aprofundaram as suas pesquisas sobre o “ Simultaneismo”, que cruza diversas cores para provocar efeitos na percepção”.

“Para Robert poder pintar, a mulher criou ateliês de vestuário e de decoração em Paris e Madrid o que além de garantir o seus sustento acabou por ser um trabalho pioneiro na área do design “, sublinha ainda Ana Vasconcelos.

Durante o mesmo período, poderá também ser vista a obra de Hein Semke, outro artista que se refugiu em Portugal e aqui morreu em 1995.

“Hein Semke. Um alemão em Lisboa”, apresenta vários aspetos pouco conhecidos da sua produção artística visando por isso atualizar o conhecimento da sua obra e o seu contexto criativo.

Refira-se que Semke foi um artista quase autodidata que esteve pela primeira vez em Portugal em 1929 tendo-se radicado definitivamente no nosso país na década de 30 após a ascensão do nazismo na Alemanha. A sua atividade artística abrange várias linguagens que vão da escultura à gravura passando ainda pela pintura e colagens.

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