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Guerras e desastres climáticos causaram 50 milhões de refugiados

2019 foi o ano com mais pessoas deslocadas internamente no nosso planeta, nas contas do Centro de Monitoramento de Deslocamento Interno. Em 2020, a pandemia vai tornar esta população ainda mais vulnerável.
Uma mulher idosa deslocada internamente em Abyei, resultado dos fortes combates que ocorreram no Sudão. Fotografia por UN/Tim McKulka.

O relatório anual do Centro de Monitoramento de Deslocamento Interno (IDMC) do Conselho Norueguês de Refugiados calcula que no final de 2019, cerca de 45,7 milhões de pessoas se encontravam deslocadas internamente como resultado da violência em 61 países, enquanto cerca de 5,1 milhões de pessoas se encontravam deslocada por destastres naturais, em 96 países.

A diretora do IDMC, Alexandra Bilak, tinha a esperança que após o lançamento do Painel de Alto-Nível para o deslocamento interno pela ONU em Outubro, este tema tivesse mais atenção global em 2020 mas a pandemia veio a sobrepor-se a tudo. Apesar de ainda ser cedo para perceber qual o impacto total da pandemia de Covid-19 no deslocamento e nos esforços para resolvê-lo, a recessão futura que se prevê pode ter "impacto na generosidade das doações governamentais", diz Alexandra Bilak. E se assim for, "a situação vai ser muito má para toda a gente".

A diretora do IDMC refere que isto traz também problemas de segurança para estas populações, pois “os deslocados internos são normalmente pessoas altamente vulneráveis e ​​que vivem em acampamentos lotados, abrigos de emergência e assentamentos informais com pouco ou nenhum acesso à assistência médica. A pandemia global de coronavírus ainda os tornará mais vulneráveis. Isso comprometerá suas condições de vida já precárias, limitando ainda mais o acesso a serviços essenciais e ajuda humanitária. ”

O relatório mostrou que a maioria dos novos casos de deslocamento ocorreram em países na África subsaariana, onde a escalada da violência e a deterioração da segurança no Sahel, os conflitos armados na Somália e no Sudão do Sul continuam a expulsar centenas de milhares de pessoas das suas casas.

Tempestades tropicais e monções no sul e leste da Ásia e no Pacífico são outros motivos para a deslocação interna de milhões de pessoas. Países como a Índia, Filipinas, Bangladesh e China foram fortemente afetadas por estes fenómenos, que obrigaram a pelo menos 4 milhões de deslocamentos, embora a maioria tenha resultado de evacuações dos governos.

No caso de Moçambique e até ao final de 2019, mais de 130.000 pessoas ainda não conseguiram voltar para casa após a devastação dos ciclones Idai e Kenneth.

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