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Grupo secreto da Border Patrol dos EUA no facebook faz piadas sobre morte de migrantes

O site ProPublica investigou o grupo secreto da Patrulha Fronteiriça norte-americana. Descobriu um lugar de escárnio sobre a morte de migrantes e de memes sexistas com 9.500 membros desta força policial. Visada nas mensagens é Ocasio-Cortez que descreveu os centro de detenção como "horrorizantes."
Conferência de Imprensa de Ocasio-Cortez à porta do Centro de Detenção de El Paso.
Conferência de Imprensa de Ocasio-Cortez à porta do Centro de Detenção de El Paso. Fonte: twitter

O grupo é secreto e dura há cerca de três anos. Tem aproximadamente 9500 membros, antigos e atuais integrantes do corpo policial norte-americano encarregue de vigiar as fronteiras do país. E nele se partilham comentários e memes sexistas, por exemplo sobre Alexandria Ocasio-Cortez, representante democrata por um dos distritos de Nova Iorque na Câmara dos Representantes.

Várias outras políticas do Comité Hispânico no Congresso, como Veronica Escobar, também são visadas. Isto devido à sua visita ao Centro de Detenção de El Paso para avaliar as suas condições. No grupo apelava-se a lançar “burritos” contra elas. Imagens falsas de Ocasio-Cortez envolvida em ações sexuais com migrantes e com Trump são usadas para escarnecer.

Ocasio-Cortez denunciou o que encontrou como "horrorizante", descrevendo situações de abuso psicológico como obrigar migrantes a beber água da sanita.

Outro alvo são os próprios imigrantes. Há quem faça piadas acerca da morte de migrantes, há quem mostre a sua indiferença para com isso com memes onde se lê “se morrrer, morreu”, há quem publique a foto do pai e filha afogados recentemente no Rio Grande para lançar a teoria da conspiração de que se trata de uma foto falsa porque os corpos estariam demasiado “limpos”.

Este grupo chama-se 10-15, o código da Patrulha de Fronteira para a “estrangeiros sob custódia” e as notícias sobre o teor sexista e xenófobo das mensagens partilhadas por agentes seus surge quando a polémica sobre as condições dos emigrantes detidos e o reforço das medidas agressivas para deter o fluxo de migrantes na fronteira sul está ao rubro. O chefe dos serviços fronteiriços, John Sanders, foi mesmo levado a demitir-se depois das notícias sobre as instalações de detenção de crianças.

A existência destas mensagens não surpreende. Já no início de 2018, investigadores federais tinham descoberto séries de mensagens racistas de membros desta força policial no telemóvel de um agente, Matthew Bowen, quando o investigavam por ter atropelado um migrante da Guatemala. Entre vários palavrões, os agentes classificavam os migrantes como “sub-humanos”.

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