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Grupo de Teatro de Letras luta contra a sua dissolução

Teresa Monsanto, que integra o GTL, explicou ao Esquerda.net que a nova Associação de Estudantes da Faculdade de Letras de Lisboa pretende despedir o encenador Ávila Costa e, na prática, dissolver o grupo.
Foto retirada da página de facebook do Grupo de Teatro de Letras - GTL.

A 7 de fevereiro, a nova Associação de Estudantes da Faculdade de Letras (Aeflul), que tinha tomado posse há um mês, chamou o encenador Ávila Costa para lhe entregar uma minuta de rescisão de contrato por mútuo acordo.

Segundo a produtora Teresa Monsanto, “tal decisão foi recebida com muita surpresa, porque não existiram quaisquer queixas prévias”.

Imediatamente, o Grupo de Teatro de Letras (GTL) “começou a mexer-se”, lançando, nomeadamente, uma petição na Universidade.

A 8 de fevereiro, a Associação de Estudantes decidiu lançar, entretanto, um comunicado na página de facebook onde afirma que toda esta situação relativa à rescisão do contrato de Ávila Costa se deve a “irregularidades contratuais”.

“Ora, essas irregularidades contratuais não são explicadas em momento algum. Não são claras o suficiente, não são factuais”, sinalizou Teresa Monsanto.

“Basicamente, disseram também que os membros do GTL nunca iriam ficar órfãos, porque há outro grupo de teatro na Faculdade que estaria disposto a acolhê-los. Isto é grave. Porque quando um grupo de teatro deixa de ter membros para irem para outro grupo o que fazemos é, na prática, dissolver esse grupo de teatro. O GTL deixaria de existir”, acrescentou.

Teresa Monsanto e outros membros do GTL foram posteriormente chamados para uma reunião com a Aeflul. Questionada sobre quais eram as irregularidades contratuais invocadas, a Associação respondeu que era uma questão que não tinha a ver com o GTL, mas apenas com o Ávila Costa.

Sobre o facto de não ter havido nunca uma tentativa de comunicação com os membros do GTL, que são estudantes da faculdade, e, conforme assinalou Teresa Monsanto, “deveriam ser ouvidos se a Aeflul acha que o Ávila Costa não estava a cumprir as suas funções”, a Associação de Estudantes respondeu: “Opção nossa”.

Nessa altura, o GTL lançou uma petição pública contra a rescisão de contrato do Professor Ávila Costa, que já reuniu, até ao momento, perto de 1200 assinaturas.

Esta sexta-feira teve lugar uma sessão de sensibilização do GTL que “não aconteceu para falar no despedimento do Ávila, mas sim para mostrar aos alunos da FLUL o trabalho feito e a importância do GTL. O grupo existe há 52 anos e surgiu principalmente para combater o regime e a opressão.

“E isso é uma página da história que não se pode apagar”, frisou Teresa Monsanto.

Também o MELL - Movimento de Estudantes em Luta por Letras, expressou, em comunicado, “o seu descontentamento relacionado com a situação actual do futuro do Grupo de Teatro de Letras” e apelou "a que todos os estudantes da FLUL se levantem contra esta situação e que em local próprio a denunciem e lutem contra ela".

Na segunda-feira, dia 20 de fevereiro, às 13h, terá lugar uma Reunião Geral de Alunos Extraordinárias, em que a Associação de Estudantes prestará esclarecimentos sobre este caso – da demissão do encenador Ávila Costa e do futuro do GTL.

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