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Grupo Calzedónia “violenta desempregados”, acusa Sindicato

Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal acusa grupo de “violentar desempregados através de entrevistas públicas de emprego nas montras e áreas comerciais” e de atirar “ao lixo os documentos exibindo fotos e dados pessoais”. CESP exige “atuação punitiva exemplar desta empresa para prevenir a repetição de tais abusos”.
Foto da montra da loja publicada pelos Precários Inflexíveis.

No final de outubro, a Associação de Combate à Precariedade – Precários Inflexíveis anunciaram a apresentação de uma queixa à Autoridade para as Condições do Trabalho contra o Grupo Calzedónia, que resolveu expor os candidatos a emprego a serem entrevistados na montra de uma das suas lojas.

“Os candidatos a emprego foram obrigados a realizar a entrevista na montra de uma loja, num triste espectáculo de exposição e vexação. O direito à privacidade é um dos direitos mais elementares de todos os trabalhadores, ainda mais no processo de contratação”, criticaram os Precários Inflexíveis, que publicaram a imagem da montra onde decorria a entrevista de emprego na sua página do Facebook.

Já em novembro, foi a vez da loja Intimissimi da Rua Augusta, em Lisboa, que também pertence ao grupo Calzedónia, deitar ao lixo vários currículos de candidatos. Os documentos, que foram confiados à empresa para seu uso exclusivo e que contêm dados pessoais e confidenciais cedidos para efeito de candidatura a um emprego, ficaram expostos a quem quer que passasse na rua.

Após a divulgação destas imagens, o CESP — Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal emitiu um comunicado no qual acusa o grupo Calzedónia de “violentar desempregados através de entrevistas públicas de emprego nas montras e áreas comerciais” e de atirar “ao chão e ao lixo os documentos exibindo fotos e dados pessoais”.

O CESP lamenta que as empresas se sintam “à vontade para fazer todas as alarvidades” e que a Calzedónia opte por “humilhar e violentar, espezinhar, literalmente, os direitos humanos dos desempregados”.

CESP lamenta que as empresas se sintam “à vontade para fazer todas as alarvidades” e que a Calzedónia opte por “humilhar e violentar, espezinhar, literalmente, os direitos humanos dos desempregados”

“Exige-se respeito, decoro e bom senso a todos. Começando pelos mais altos responsáveis de Portugal e, às entidades [oficiais], uma atuação punitiva exemplar desta empresa para prevenir a repetição de tais abusos”, defende esta estrutura sindical.

No documento, o CESP avança que “não se poupará em esforços para denunciar estes abusos e por isso já exigiu à Autoridade para as Condições de Trabalho e Comissão Nacional de Protecção de Dados, atuação coerciva” e que “irá denunciar esta prática” à Procuradoria-geral da República, Assembleia da República, Parlamento Europeu, Escritório da OIT Lisboa, CES – Confederação Europeia de Sindicatos, Conselho Económico e Social Portugal, Conselho Económico e Social Europeu e Embaixada de Itália em Lisboa.

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