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Grupo alemão de artistas antifascistas perseguido como “organização criminosa”

Os artistas denunciam que foram colocados numa lista de organizações terroristas e estão a ser investigados há meses pelas autoridades alemãs na sequência de uma intervenção em que construiram um memorial ao Holocausto ao lado da casa de um dirigente da extrema-direita.
Foto do Memorial construído pelo grupo Political Beauty

Centro para a Beleza Política” não é propriamente o nome assustador de uma perigosa organização criminosa. E, na verdade, a organização define-se meramente como “uma equipa de assalto que estabelece a beleza moral, a poesia política e a grandeza humana ao procurar preservar o humanitarismo”. Portanto, a sua ação resume-se às “mais inovadoras formas de performance política” contra a “apatia política, a rejeição dos refugiados e a cobardia”.

As autoridades alemãs não concordam e estão a investigar o grupo há vários meses. A organização foi considerada criminosa e foi invocado o artigo 129 do Código Criminal Alemão. O Estado da Turíngia colocou mesmo o CBP numa lista junto com doze organizações terroristas da qual também fazem parte a ISIS, por exemplo.

Que ações perversas estão afinal por detrás deste nome?

A sua ação mais famosa foi a construção de um memorial ao Holocausto num terreno ao lado da casa de Björn Höcke, dirigente do partido de extrema-direita AfD (Alternative für Deutschland). Uma ação “contra a normalização do fascismo na Alemanha” que foi recebida por processos judiciais e ameaças por parte da extrema-direita. Até ao momento, todos estes processos foram ganhos pelos artistas.

O CBP fez ainda outras ações como o vídeo promocional de uma ponte “Jean Monet” a ser construída entre a Europa e o Norte de África. E como “a humanidade não pode esperar até à ponte estar completa” já que “o Mediterrâneo é um cemitério”, o grupo começou a instalar mil plataformas de salvamento nas rotas de migrantes equipadas com reservas alimentares, iluminação, aparelhos de comunicação, câmaras etc.

Para além disso, lançou cartazes a oferecer uma recompensa de 25 mil euros se alguém fornecer informações que conduzam à detenção dos fabricantes de armas alemães da Krauss-Maffei Wegmann com o objetivo de expor os negociantes de armas, nomeadamente a venda de biliões de euros em armas para a Arábia Saudita. E ainda instalou cruzes brancas em Berlim durante as comemorações do 25º aniversário da queda do muro, lembrando as 30 mil vidas perdidas nas fronteiras dos novos muros europeus. Um grupo de manifestantes dirigiu-se a um destes novos muros, na Bulgária, para “tentar deitá-lo abaixo”.

Sobre o mesmo tema, foi construído em Berlim um circo romano com quatro tigres líbios e “procuraram-se refugiados que estivessem dispostos a ser comidos pela bem sucedida política de defesa do governo federal”.

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