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Greve na Autoeuropa: é necessário "manter o diálogo"

Os trabalhadores protestam contra os novos horários de três turnos e trabalho aos sábados, cuja obrigatoriedade não aceitam. A produção encontra-se "totalmente parada".

Os trabalhadores da Autoeuropa iniciaram esta terça-feira às 23h30 um dia de greve contra os novos horários de três turnos e trabalho aos sábados, greve que terminará às 00:00 de quinta-feira.

A greve foi decidida em plenários realizados na segunda-feira, onde participaram mais de 3 mil trabalhadores. Os trabalhadores protestam contra os novos horários de três turnos e trabalho aos sábados, cuja obrigatoriedade não aceitam. Os novos horários seriam compensados financeiramente com um adicional de 175 euros por mês e um dia de férias a mais. 

Em comunicado, o Sitesul (Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul) afirma que o que causou divergência não foi o montante de compensação financeira mas sim a obrigatoriedade de trabalho aos sábados com apenas dois dias de folga consecutivos de três em três meses. 

Os novos horários propostos pela administração da Autoeuropa foram previamente negociados com os representantes dos trabalhadores, mas o pré-acordo foi rejeitado por mais de 74% dos funcionários da empresa, levando à demissão da Comissão de Trabalhadores.

Questionada pela comunicação social na visita à Cova da Moura esta terça-feira, Catarina Martins manifestou “apreensão” pela situação e considerou ser necessário “manter o diálogo”. 

“Acho que olhamos todos para a Autoeuropa com apreensão. A Autoeuropa é uma das maiores empresas portuguesas, uma das maiores exportadoras. Julgo que tem existido uma inflexibilidade nestas negociações. Preocupa que a administração diga que não quer negociar”, disse. 

“Estamos talvez a ter dores de crescimento da Autoeuropa”, indica Catarina Martins. “A produção nova representa um aumento de produção bastante grande, com mais 2 mil postos de trabalho em Portugal. E é preciso que este aumento de produção se faça naturalmente com um diálogo com os trabalhadores. A Autoeuropa tem sido um exemplo desse diálogo com os trabalhadores e esse respeito é importante que se mantenha”.

Em entrevista ao Jornal de Negócios, António Chora - que liderou a Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa até 2016 - não alimenta o cenário de encerramento da fábrica por parte da Volkswagen. "As únicas vezes que a fábrica teve esse risco foi em 1999, quando a Ford desistiu do projecto, e depois em 2005 quando a Volkswagen falou em encerrar uma fábrica na Europa". E relembra que "em Dezembro de 2005 tinha havido também a recusa de um acordo, mas em Janeiro de 2006 foi aprovado por uma esmagadora maioria e tudo isso contribuiu para a manutenção da fábrica até hoje".

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