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A greve dos professores “varreu” Leiria

Com 97% de adesão e milhares nas ruas, os sindicatos que convocaram a greve manifestaram-se confiantes e os professores reiteraram as suas razões. Mas se a greve varreu este distrito, a luta também se fez sentir em muitos outros pontos do país que o Esquerda.net dá aqui a conhecer.
Professores de Leiria em luta. Foto de Fenprof.
Professores de Leiria em luta. Foto de Fenprof.

Há 28 anos que Rosália Costa trabalha longe de casa e enfrenta “a deslocação, a dificuldade que temos em estarmos perto das nossas famílias”. Por isso, garante à RTP, não vai parar de lutar. O mesmo espírito parecia ter assentado arraiais no centro de Leiria esta segunda-feira onde milhares de professores, mas também assistentes operacionais, técnicos superiores e alunos, se manifestaram no dia em que a greve rotativa por distritos convocada por oito sindicatos de docentes passou por este distrito. A Fenprof reivindicou 97% de adesão a esta paralisação.

A mesma reportagem falou com Manuela Campaniça, técnica superior especializada, interprete de língua gestual portuguesa, que quis acrescentar ao quadro já bastante conhecido da precariedade na educação a história destes outros precários menos “vistos” porque são “poucos a nível nacional”. No seu caso são já “quase 19 anos” de trabalho precário, ganhando agora ainda “menos de mil euros”.

Para além da precariedade, as outras razões invocadas repetem-se, distrito a distrito, com a mesma veemência. A Lusa cita a professora do Agrupamento de Escolas de Marrazes, outras das participantes, que sintetizou: “estamos juntos por uma escola mais digna e a lutar por todos os profissionais da educação. Somos contra as quotas, contra a progressão da carreira por este sistema de avaliação e estamos a defender a escola pública, principalmente”.

A agência noticiosa nacional falou ainda com um grupo de jovens do 11.º ano da Escola Secundária Rodrigues Lobo que estavam solidários com os docentes: “esta é também uma luta dos jovens pelo nosso ensino. Esta situação causa descontentamento nos professores e com toda a razão e acaba por, sem querer, transbordar para os alunos. Os professores estão cansados nas aulas, estão infelizes com a profissão e pelo salário que têm, ninguém trabalha feliz. Estamos aqui a lutar por um ensino melhor”.

As linhas vermelhas dos sindicatos

Face à força do protesto, o secretário-geral da Fenprof mostrava-se confiante. Para ele, a greve “varreu praticamente todo o distrito de Leiria” o que não foi surpresa porque “os professores não aceitam continuar a ser maltratados, desvalorizados, desrespeitados e desconsiderados”.

Na sua intervenção, Mário Nogueira traçou as “linhas vermelhas” inceitáveis, consonantes com estes depoimentos, como “haver vinculação de professores em que os mais graduados, com 15 e 20 anos de serviço, ficam de fora e outros colegas, com quatro ou cinco anos, possam vincular. Estes devem vincular, mas os outros também. Mas também "professores efetivos dos quadros das escolas que passem a ser professores de Quadro de Zona Pedagógica, podendo os diretores decidir a sua colocação em outras escolas" e "continuar a não querer contar o tempo de serviço dos professores”. E ainda “num vermelho tão escuro que ninguém poderá pôr o pé”, “continuar a impedir a progressão com vagas e a aplicar quotas na avaliação, mobilidade por doença, técnicos especializados”.

Os sindicatos fincam assim pé naquilo que é inultrapassável e que marcará as negociações com o Governo esta quinta-feira, dia em que os professores voltam a protestar em frente ao Ministério da Educação.

O dirigente sindical diz estar “completamente certo” que “se o Governo souber ouvir” terá de alterar algumas posições "e de perceber que os professores do continente não são diferentes dos professores da Madeira e dos Açores, que estão, e bem, a contar o seu tempo e não têm vagas nem quotas”. E depois de os sindicatos terem em mãos o projeto do Ministério da Educação, anunciou, irão organizar “um dia D para pôr os colegas a discutirem o documento”.

De norte a sul, a luta na educação não pára

Mais uma vez, a somar-se aos protestos à volta da convocatória das greves rotativas por distritos, muitos outros pontuaram o mapa das lutas de norte a sul do país. O Jornal do Algarve dá conta de greve e concentração de professores e funcionários não docentes na Escola Secundária Pinheiro e Rosa, em Faro, que em comunicado garante que “novos períodos de greve serão organizados até ser encontrada uma solução”, sublinhando que lutam “por uma escola de qualidade” e “melhores condições para todos os trabalhadores da escola pública” e exigem “contratação e integração nos quadros de professores e funcionários”, “integração do tempo de serviço em falta” e o “desaparecimento das quotas de acesso ao 5.º e 7.º escalão”.

Um pouco mais acima no mapa das lutas, no Alentejo, é a Rádio Campanário que informa sobre uma manifestação à porta da Escola Secundária Rainha Santa Isabel de Estremoz. E no litoral desta região, de acordo com a Rádio Sines, os professores da Escola 2/3 Damião de Odemira fizeram o mesmo.

Na zona da grande Lisboa, os professores de Sintra também se mobilizaram mais uma vez com um cordão humano em frente à Câmara Municipal. Na CMTV ouviam-se estes professores cantar “Oh, Costa respeita a escola, oh Costa respeita-a bem, Oh Costa respeita a escola, olha a força que ela tem!”. A SIC mostrava outro protesto com “cerca de 200 professores do Agrupamento da Portela e de Moscavide” em greve e dava-se por certo que todas as cinco escolas desse agrupamento estariam fechadas pelo menos por 24 horas. O mesmo órgão de comunicação social foi até ao Agrupamento de Escolas Vergílio Ferreira, onde pais, assistentes operacionais, alunos e professores estiveram juntos. E ainda ao Rossio, onde se concentraram cerca de 200 professores deste distrito.

No grande Porto, na Trofa, a EB 2/3 Prof. Napoleão Sousa Marques encerrou, informa o Notícias da Trofa.

Na cidade de Braga, a Escola Secundária Maximinos fechou, como explicou o seu diretor à Lusa. Este destaca que tem havido “uma forte adesão” a esta vaga de greve e “só numa semana, esteve fechada quatro dias”. Para além dela, outras três escolas do 1.º ciclo de Braga fecharam: Gondizalves, Naia e Gandra.

O concelho de Famalicão tem sido um outro ponto quente das lutas da educação. Esta segunda-feira não foi exceção, professores e funcionários uniram as escolas Secundária Camilo Castelo Branco e D. Sancho I num cordão humano. Uma ação que contou com 150 elementos, contabilizou a FamaTV.

O Cidade Hoje escreve que “a semana começa sem aulas na Júlio Brandão, na dr. Nuno Simões e nas escolas sedes dos agrupamentos de Gondifelos e D. Maria II, em Gavião”.

Ainda no distrito de Braga, O Vilaverdense indica que trabalhadores docentes e não docentes da Escola Básica de Moure fizeram greve ao primeiro tempo da manhã e manifestaram-se à porta deste estabelecimento de ensino exigindo “dignidade” e “respeito”.

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