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Greve dos estivadores em Lisboa desviou navios para outros portos

Os estivadores do Porto de Lisboa terminaram este sábado a greve de duas semanas ao trabalho suplementar, pela atualização da tabela salarial congelada desde 2010 e contra as práticas anti-sindicais dos operadores portuários.
Porto de Lisboa. Foto Paulo Valdivieso/Flickr

“A greve correu como previsto, os trabalhadores desenvolveram a sua atividade apenas durante o turno, o que, normalmente, não é suficiente para o Porto de Lisboa. Temos algum volume de trabalho suplementar, verificaram-se alguns atrasos no despacho dos navios e alguns foram mesmo desviados para outros portos, como Setúbal e Leixões”, disse o presidente do Sindicato dos Estivadores e da Atividade Logística (SEAL), António Mariano, em declarações à Lusa.

A greve teve início a 21 de maio e terminou este sábado. Na base das reivindicações está a recusa das entidades empregadoras na atualização das tabelas salariais, congeladas desde 2010, que segundo o pré-aviso de greve originou “uma perda a rondar 10% no poder de compra dos estivadores”.

O impasse negocial estende-se à definição do modelo de colocação e monitorização de mão de obra portuária, que segundo o acordo de 2016 deveria respeitar o princípio de distribuição equitativa no porto lisboeta. Os estivadores denunciam “assimetrias profundas na distribuição desse mesmo trabalho e, consequentemente, dos rendimentos dos trabalhadores” e chegam a acusar os administradores das empresas de estiva — ao mesmo tempo administradores da Associação-Empresa de Trabalho Portuário  (A-ETPL) - de “gestão danosa”, ao não colocarem os trabalhadores da A-ETPL, “mesmo nos casos em que há trabalho que normalmente seria prestado por estes”, preferindo antes colocar “trabalhadores dos quadros das empresas de estiva a efetuar trabalho suplementar”.

Esta situação chega ao ponto de já se saber que “há trabalhadores que em meados do ano já terão atingido o limite das 850 horas de trabalho suplementar, enquanto que outros não terão sequer atingido metade desse valor”, originando assim “uma situação laboral potencialmente explosiva”.

Outro dos alvos da greve ao trabalho suplementar foram as “práticas anti-sindicais” de algumas empresas, que se recusam a aceitar a sindicalização de associados do SEAL, tentam impedir plenários e assembleias e retêm durante meses o pagamento ao sindicato das quotas descontadas pelos trabalhadores. A isso juntam-se “manobras de condicionamento” que podem configurar “tentativas de aliciamento, por parte de chefias da empresa, para a dessindicalização de associados nossos”. Uma situação que não é exclusiva do Porto de Lisboa e que já está a ser investigada pelo Ministério Público, acrescenta o texto pré-aviso de greve.

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