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Greve do retalho, distribuição e IPSS com “elevados níveis de adesão”

Houve supermercados encerrados, hipermercados com serviços reduzidos, armazéns quase vazios de trabalhadores e IPSS e Misericórdias a trabalhar em “serviços mínimos” neste 1º de Maio segundo o CESP. Os trabalhadores exigem ganhar mais do que salário mínimo e horários adequados.
Piquete de greve em frente ao Corte Ingles. Foto: CESP/Facebook.
Piquete de greve em frente ao Corte Ingles. Foto: CESP/Facebook.

O 1º de Maio não foi só dia dos tradicionais desfiles. Os setores da distribuição, comércio retalhista e Misericórdias fizeram greve e o balanço da adesão foi “bastante positivo” de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP).

Célia Lopes, dirigente deste sindicato, declarou à Lusa que houve “elevados níveis de adesão” à greve, nomeando casos como o armazém da DIA Portugal, em Valongo, com uma adesão “superior a 70%”, as “inúmeras lojas Minipreço pelo país encerradas” e as “lojas Lidl que apenas estão a funcionar porque foram trabalhadores de outras lojas para lá, porque caso contrário estariam encerradas”. Também em muitos grandes hipermercados “há balcões encerrados e muitas dificuldades e muitos atrasos no atendimento aos clientes”.

Segundo o CESP, os trabalhadores da distribuição e retalho recorreram a esta forma de luta porque “continuam a não ter qualquer valorização da sua carreira, a receberem o salário mínimo nacional”, isto apesar de terem sido considerados trabalhadores essenciais durante a pandemia.

Junto ao Corte Inglés do Porto, num piquete de greve participado, os trabalhadores apresentaram as suas reivindicações.

Por sua vez, os trabalhadores das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) e Misericórdias, também protestaram por “a quase generalidade” receber o salário mínimo e por trabalharem “com horários de trabalho bastante desregulados”. Neste setor a adesão foi igualmente “muito grande” com “muitas instituições” a funcionar “única e exclusivamente com os serviços mínimos”, uma vez que asseguram cuidados básicos a utentes e não podem encerrar. A sua greve terá sido assim “um importante sinal” de que estão disponíveis para lutar se a União das Misericórdias Portuguesas não quiser negociar e o governo não legislar sobre as condições de trabalho e a melhoria dos salários.

Em frente à Santa Casa da Misericórdia da Póvoa do Varzim, os trabalhadores explicaram estas suas razões.

A dirigente do CESP, Célia Lopes, fez ainda uma menção especial à “excelente adesão” dos trabalhadores da Rádio Popular que chegam “a trabalhar nove e dez horas por dia” e estão a lutar por um aumento de 90 euros, pela valorização das carreiras, pela redução do horário de trabalho para as 35 horas semanais sem redução salarial, pela admissão de mais trabalhadores, contra o banco de horas e a desregulação dos horários de trabalho, e em defesa do emprego e contra a precariedade.

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