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Greve de trabalhadoras da limpeza do Hospital de S. João tem grande adesão

A greve dura há três dias e a adesão é de 90%, segundo o sindicato. Trabalhadoras e trabalhadores reivindicam o aumento do subsídio de alimentação e o pagamento deste subsídio por dias efetivamente trabalhados. "Nós não somos lixo”, afirmou uma trabalhadora.
Trabalhadoras da limpeza do hospital S. João estão em greve há três dias e querem um aumento do subsídio de alimentação para os “cinco euros”, havendo trabalhadores a receberem 1,20 euros – Foto CGTP
Trabalhadoras da limpeza do hospital S. João estão em greve há três dias e querem um aumento do subsídio de alimentação para os “cinco euros”, havendo trabalhadores a receberem 1,20 euros – Foto CGTP

A luta das trabalhadoras e dos trabalhadores da empresa Clece, da limpeza do Hospital de S. João do Porto, foi convocada pelo STAD (sindicato dos trabalhadores de serviços de portaria, vigilância, limpeza, domésticas, e actividades diversas) e compôs-se de uma greve com a duração de 72 horas (dias 25, 26 e 27 de maio) e uma concentração entre as 9h30 e as 12h30 desta segunda-feira, 27 de maio.

À agência Lusa, Eduardo Teixeira, coordenador regional do STAD, declarou: "a greve neste momento passa os 90%. Num quadro de pessoal de 200 pessoas, nem 20 estarão a trabalhar".

Segundo comunicado do sindicato, os trabalhadores lutam pelo aumento do subsídio de alimentação, que não é aumentado há alguns anos, e pelo pagamento do subsídio de alimentação por dias efetivamente trabalhados.

Os trabalhadores da limpeza querem um aumento do subsídio de alimentação para os “cinco euros”, afirma Eduardo Teixeira, apontando que há trabalhadores a receberem 1,20 euros e há demasiados anos que não recebem mais de 1,85 euros de subsídio por dia de trabalho.

"É uma vergonha, temos trabalhadores que recebem 1,20 euros de subsídio de alimentação, porque a Clece paga o subsídio proporcional às horas de trabalho, ou seja, 'se houver um trabalhador que trabalha cinco horas recebe 1,20', sendo que o Código de Trabalho prevê que quem trabalhar cinco ou mais horas tem de receber o subsídio de alimentação por completo", diz Eduardo Texeira, denunciando que o subsídio de alimentação atual é baixo, 1,85 euros, que foi acordado com a "administração do hospital no final do ano passado" aumentar-se o subsídio de alimentação para 3,5 euros mas "estamos no final de maio e "foi o dito por o não dito".

"O Hospital comprometeu-se que esse aumento iria ser refletido nos salários do trabalhador já em abril e hoje o que acontece é que a administração do hospital ou os responsáveis pela negociação da altura vêm dizer que não há nada. Deram o dito pelo não dito", sublinhou o sindicalista.

Eduardo Teixeira acusou também o diretor do departamento que gere os contratos de limpeza e de vigilância do Hospital de S. João de ter dado indicações, pelo menos, "às auxiliares da ação médica para violarem o direito à greve" e fazerem "os serviços de limpeza, coisa que é ilegal". O STAD pediu à ACT (Autoridade para as Condições de Trabalho) que se "desloque o mais rápido possível" ao Hospital de S. João para tomar conta "da ocorrência".

Irene Santos, trabalhadora de limpeza há 10 anos no hospital, declarou à Lusa: "Nós não somos lixo. Somos trabalhadores como outros quaisquer".

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